Fora de Campo Chorou quando foi para o FC Porto, saiu para voltar a sorrir após concretizar o sonho maior: o adeus agridoce de Rodrigo Mora
Rodrigo Mora chegou, nesta terça-feira, 18 de agosto, a Itália para jogar pela Roma, deixando assim o FC Porto, clube do seu coração que representava desde os seus nove anos.
Para o "menino" de 19 anos nascido em Leça do Balio, o futebol é uma paixão que o "perseguiu" durante toda a vida. Na infância, já dava toques no esférico, aquele que era o seu presente predileto no Natal. "Gostava mais de ver os jogos ou os treinos do que desenhos animados", chegou a contar o seu pai, José Manuel, à 'Sábado', ele que foi futebolista, tendo vestido a camisola do Sp. Braga.
José garantiu que não foi ele que tentou emprestar a paixão pelo desporto-rei a Rodrigo, mas este acabou por confirmar que o progenitor teve uma grande influência. "Nunca soube que ia ser jogador. O meu pai foi jogador e incutiu-me um bocado o futebol. O momento em que decidi que ia seguir esse caminho foi quando fui para o FC Porto, com nove anos", contou, numa entrevista de promoção ao videojogo 'Football Manager'.
Ainda assim, a chegada aos dragões, vindo do Custóias, o seu primeiro clube para onde o pai o levou a treinar aos quatro anos, não foi uma decisão pacífica. "Quando acabou o protocolo com o Custóias, o FC Porto quis levá-lo, pelo talento que ele já mostrava, mas ele não queria ir e até choramingou por largar os amigos, que jogavam todos aqui", relatou, também à 'Sábado', Rui Martins, roupeiro do modesto emblema do município de Matosinhos.
Tão precoce parece a sua saída dos azuis e brancos como até podia aparentar ser (mas não foi) a sua chegada ao plantel principal, primeiro pela mão de Vítor Bruno e já mais preponderantemente pela do argentino Martín Anselmi, na época 2024-25, com apenas 17 anos.
Foi também graças ao Euro sub-17, no qual foi o jogador em destaque de uma seleção portuguesa que chegou à final, que os aficionados do clube portuense ansiassem pela sua estreia na altura. Anselmi não teve dúvidas na altura de tecer loas ao médio: "É um miúdo que ouve, não é fácil ter a idade que tem, fazer o que faz, quando toda a gente te sobe o ego, e ter a humildade que ele tem."
Se nessa temporada se tornou num dos destaques do campeonato, sendo o ponto alto de um FC Porto que esteve abaixo das expetativas e até alcançando a convocatória à Seleção Nacional A (ainda que não tenha somado minutos), a chegada de Francesco Farioli acabou por condená-lo à perda de importância no plantel dos dragões.
O sistema do técnico italiano não se coadunou com as características daquele que parecia ser a mais insubstituível peça do tabuleiro portista e, por isso, começaram a escassear os minutos para o jovem diamante dos dragões.
Ainda assim, conseguiu cumprir um sonho que proferira meses antes, o de conseguir ser campeão com o emblema que carregou ao peito durante a grande maioria da sua existência, tendo sido um dos jogadores mais aclamados pela massa adepta que irrompeu pela Avenida dos Aliados, banhada em júblio pelo regresso do FC Porto aos títulos. A sua irmã, Francisca, fez inclusivamente questão de agradecer à família portista pelo apoio durante a estada de Rodrigo na Invicta.
Agora, o cenário mudou e foi logo recebido em apoteose na capital italiana. "Todas estas pessoas estão aqui por mim?", indagou, num misto de surpresa e emoção, à sua família, os amigos e os representantes, segundo relata a imprensa italiana.
Rodrigo Mora chegou a Roma. pic.twitter.com/LyOz4GC19f
— Cabine Desportiva (@CabineSport) August 18, 2026
Um sinal de que os adeptos 'giallorrossi' depositam nas suas capacidades a esperança de ver o seu clube aproximar-se do topo da tabela da Serie A algo que já não sucede há vários anos. Importa destacar que, neste ano, terá como rivais, nesta pretensão, Ruben Amorim e Gonçalo Ramos, no Milan, e Francisco Conceição, na Juventus, para além dos outros pesos pesados do 'calcio', como o Inter ou o Nápoles.
A verdade é que, pelo menos, terá como garantia que voltará a ser uma aposta séria do seu treinador, a 'velha raposa' Gasperini, que tem no currículo o potenciamento de talentos de cariz ofensivo, algo que também poderá ter sido um dos dínamos para seguir a sua carreira na equipa 'capitolina'.
Ainda que possa acrescer uma nova paixão pelo emblema que, curiosamente, é anagramático do seu apelido, decerto, todavia, que o seu coração continuará a vibrar pelo azul e branco, agora como adepto.
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