Fora de Campo Como Diogo Costa voltou ao FC Porto para homenagear o homem que o incentivou a ser guarda-redes dias depois de se despedir dele
Há jogos que valem um troféu e há jogos que representam muito mais do que isso. Para Diogo Costa, de 26 anos de idade, a Supertaça Cândido de Oliveira, que se disputa este sábado, 1 de agosto, surge num dos momentos mais exigentes da sua carreira, obrigando-o a regressar à titularidade quando ainda mal teve tempo para preparar a nova temporada e poucos dias depois de sofrer uma perda familiar que o marcou profundamente.
O guarda-redes do FC Porto voltou ao trabalho há menos de uma semana, depois de uma participação no Mundial 2026 que o voltou a deixar em grande plano e com os tubarões europeus a estudarem a sua contratação. A gestão prevista para o arranque da época apontava para que Cláudio Ramos assumisse a baliza, permitindo ao atleta recuperar gradualmente depois do prolongamento da temporada ao serviço da Seleção Nacional. No entanto, a lesão do companheiro alterou por completo o cenário e obrigou-o a assumir imediatamente a titularidade no primeiro jogo oficial da época.
A exigência física e competitiva já seria, por si só, um desafio. Mas a dimensão emocional torna este reencontro com a competição ainda mais especial. No domingo, 26 de julho, Diogo Costa viu o avô materno, Joaquim Meireles, morrer. Joaquim foi uma das figuras mais importantes na construção do percurso desportivo de Diogo Costa, desde logo porque, de certa, forma, acabou a definir o destino do neto.
A história remonta aos primeiros tempos no Pinheirinhos de Ringe, pequeno clube do bairro comunitário de Vila das Aves, onde o craque chegou a jogar com Vitinha. Nos primeiros treinos, Diogo Costa queria marcar golos. Era tecnicamente evoluído e gostava de jogar com os pés. Mas um dia o treinador, Adílio Pinheiro, decidiu que todos os jogadores teriam de experimentar a baliza pelo menos uma vez. Então um jovem, Diogo não gostou da ideia e foi para casa queixar-se ao avô Joaquim, que chegou a jogar no Desportivo das Aves. Este tê-lo-á acalmado e incentivado a mostrar o seu talento. Esta influência foi fundamental para que se desenhasse ali um craque que hoje tem o mundo a seus pés.
A partida de um dos pilares da sua vida fê-lo ir-se abaixo, mas ao mesmo tempo, Diogo Costa ganhou ali uma força especial para voltar ao ativo ao mais alto nível. Na conferência de imprensa que antecedeu o encontro referiu isso mesmo: "O que o que aconteceu com o meu avô, de estar a treinar ou não, a minha maior motivação é dar o meu melhor para ganhar o jogo para o poder homenagear, como tanto ele gostava e portista que era, quero deixá-lo orgulhoso e dar-lhe a vitória", afirmou aos jornalistas presentes.
Palavras que ajudam a perceber o peso emocional com que entra em campo, procurando transformar o luto em motivação. O avô, que lhe ensinou a gostar da baliza e que alimentou esse sonho desde os primeiros passos, já não estará na bancada, mas será inevitavelmente uma presença constante no pensamento do atleta.
Não obstante esta simbologia, o encontro surge num contexto especial. É que com o mercado de verão ainda em aberto, muito se tem especulado sobre o futuro profissional de Diogo Costa. Confrontado com isso mesmo, o craque não alimentou rumores, mas deixou tudo em aberto. "É a nossa vida, o nosso trabalho. Como disse há pouco, não sabemos como vai ser o futuro. Não é por estar a dizer isto que vou sair, de todo. Muitos associaram ao facto de não ter escolhido o número 2 e ter continuado com o 99 que poderia sair, mas não tem nada a ver. Como todos sabem, é o meu clube do coração, sou muito feliz aqui, a minha família é muito feliz neste clube e enquanto cá estiver, vou fazer o meu trabalho e dar o amor a este clube que me deu. É muito simples. Não vale a pena estarmos a misturar sensações, estou a ser apenas sincero", afirmou.
Independentemente do futuro, esta Supertaça será inevitavelmente um dos jogos com mais significado na carreira de Diogo Costa.
Últimas
Pode gostar de ler...
Mais Lidas