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Foto: Miguel Baltazar
A atriz posa para a foto, no decorrer do evento
Foto: Miguel Baltazar
A atriz posa para a foto, no decorrer do evento
Foto: Instagram
Inês Aires Pereira
Foto: Madalena Esteves
Foto: Instagram
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Estrelas Inês Aires Pereira dá murro na mesa, atira-se aos críticos e recebe apoio de Júlia Palha

12 de Outubro de 2026 às 15:56
Atriz não escondeu desilusão com receção a obra em que participa e deixou desabafo contundente

Inês Aires Pereira mostrou-se desiludida com a receção crítica feita ao filme em que participa, 'Santo António – O Casamenteiro de Lisboa', que, pese o sucesso na bilheteira, não convenceu muitos dos avaliadores especializados na área.

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Num longo desabafo, a atriz de 37 anos começou por assinalar: "Tenho lido algumas críticas que me deixam a pensar. Antes de mais, acho fundamental que exista crítica. Que se discuta cinema, que se questione a arte, que se goste e que não se goste. Ainda bem. Mas acho igualmente importante que saibamos reconhecer o valor de coisas que, mesmo não correspondendo ao nosso gosto pessoal, têm um papel importantíssimo na cultura."

"Num país onde o cinema português enfrenta tantas dificuldades, onde é tão difícil conseguir financiamento e levar espectadores às salas, aparece um realizador que consegue pôr milhares de portugueses a comprar bilhetes para ver um filme português. Isso merece ser celebrado, ou não?", continuou.

Ciente do estilo popular que caracteriza a longa-metragem de Ruben Alves, Inês defendeu-o: "O filme do Ruben nunca tentou vender gato por lebre. Nunca se apresentou como um obra-prima do cinema de autor. É uma comédia popular (...), mas é também uma carta de amor a Lisboa."

"Faz-me alguma confusão esta ideia de que, por um filme ser comercial ou popular, é necessariamente menos cinema. Como se a acessibilidade fosse um defeito artístico. Como se fazer rir fosse uma coisa menor. (...) Os meus pais, por exemplo, raramente vão ao cinema. Tenho pena. Foram ver este filme, gostaram e o meu pai até saiu de lá com uma lágrima no olho. (...) Gosto de pensar que, da próxima vez que ouvirem falar de outro filme português, talvez pensem: 'Olha, se calhar vamos gostar!'", escreve.

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"Não estou a dizer que o valor de um filme se mede pelo número de bilhetes vendidos. Claro que não, mas também não podemos fingir que conseguir chegar às pessoas não tem valor nenhum", prosseguiu, elaborando: "[O cinema] precisa de filmes que nos façam pensar durante dias. Mas também precisa de filmes que nos façam rir, chorar", assinalou, ela que, como diz, na parte final deste documento, tem mais um filme a chegar às salas nesta quinta-feira, 'O Pecado Mora em Cima'.

Na caixa de comentários, Júlia Palha – que recentemente protagonizou um filme aclamado pela crítica, 'Lavagante' – subscreveu: "Infelizmente, ainda há tanta prepotência na crítica de cinema no nosso país. E o que mais me irrita é que, muitas vezes, acaba por ser também um insulto ao público, como se fôssemos todos ignorantes ou fúteis por querermos simplesmente ir ver um filme, perceber a sua história, envolver-nos nela, emocionar-nos ou rir com ela."

Por fim, a intérprete rematou: "Somos enormes em tantas coisas, mas conseguimos ser tão pequenos neste pretensiosismo de fingir que certas opiniões e moralismos vêm de um lugar de superioridade intelectual, quando, tantas vezes, escondem apenas uma profunda incapacidade de reconhecer, sem inveja ou ressentimento, o mérito e o sucesso dos outros."

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