Casados à Primeira Vista Sara Malcato alvo de cirurgias desde a infância até hoje: a história de coragem da especialista do Casados à Primeira Vista, obrigada a usar pacemaker a partir dos nove anos
Sara Malcato, especialista do 'Casados à Primeira Vista', teve um infortúnio na "roleta" genética, tendo-lhe sido diagnosticada, logo em criança, um defeito cardíaco congénito que a condicionou durante toda a vida.
"Nasci com este problema cardíaco, mas ele só foi diagnosticado quando tinha um ano de idade. A primeira cirurgia que eu fiz foi aos nove anos para pôr o pacemaker. Tenho um bloqueio aurículo-ventricular congénito, não sei especificar grandes detalhes, mas o impulso elétrico do meu coração era fraco", começou por relatar, ao programa 'Dona da Casa', da Antena 3, ecoando uma história que já havia listado a Júlia Pinheiro, anos antes.
"Tinha paragens cardíacas – mínimas, obviamente, mas tinha – principalmente a dormir. Na altura, o cardiologista que me acompanhou desde um ano de idade até aos nove achou que deveria pôr o pacemaker porque iria aumentar a minha qualidade de vida. Vivia sem pacemaker, mas viveria muito mal", explicou a sexóloga.
"Logo aí, a primeira operação não correu muito bem. Fui operada numa segunda-feira, fiquei lá internada, e na quarta-feira tive de voltar a ser operada, porque não tinha corrido bem. A partir daí, de dois em dois anos tinha de ser operada novamente. Fui aos 9, aos 11, aos 13", continuou.
"Foi um percurso difícil para uma pré-adolescente que estava constantemente a ver o seu corpo a ser, ou a senti-lo como, mutilado, porque fazia cicatrizes muito feias nesta zona toda. Lembro-me de na altura a minha cardiologista dizer que, quando fosse crescida, faria uma cirurgia estética para a disfarçar", prosseguiu Sara Malcato, elaborando: "Porque são cicatrizes muito feias, nesta zona central, do decote. Hoje em dia já lido muito bem com isto."
"Lembro-me, quando aos 19 anos tive de fazer mais uma cirurgia, já tinha cicatrizes do lado direito e do lado esquerdo, mas do lado esquerdo era só uma. Nessa, fizeram-me uma abaixo. Pensei: 'Isto nunca vai acabar. Tenho 19 anos, hei de ser operada até falecer, portanto, terei muitas cirurgias. Se a cada cirurgia tiver uma nova cicatriz, vou ficar completamente desfigurada.' Felizmente, hoje em dia a ciência está mais evoluída", relata.
Esta situação poderia ter melindrado a sua confiança para as relações, contudo, acabou por ser um facto inconsequente: "Nessa altura, eu tinha um namorado, mas já vinha da escola, portanto já sabia, não tive de lhe dizer ou mostrar, mas dali para a frente, todas as relações que fui tendo, havia um momento em que mostrava o meu corpo e a pessoa olhava e perguntava o que tinha acontecido. Mas nunca tive ninguém que dissesse que não gostava ou que fazia impressão."
"Sinceramente, as minhas cicatrizes tinham uma dimensão muito maior na minha cabeça do que quem está de fora a ver. Para mim, eram mais salientes do que na verdade elas são", refletiu.
Este imperativo de ser alvo de intervenções cirúrgicas não cessou na adolescência, todavia, como a própria explica: "Hei de ser operada mais vezes. Acho que vou ser operada novamente no final do ano. O próprio pacemaker tem de ser substituído de x em x anos. Até achava que era de dez em dez, mas não sei que sou eu que gasto muita pilha, não faço ideia. Nunca cheguei aos dez anos, substituo sempre em tempos mais curtos. A última vez foi em 2019, agora hei de ser operada novamente."
"A própria ciência não pensa muito nestas pessoas que metem os pacemakers cedo, o meu é da década de 90. Hoje há pacemakers muito mais pequenos, com tecnologia muito diferente que não posso usar, porque as minhas sondas não são compatíveis com a nova tecnologia", continuou.
Questionada pela anfitriã Catarina Marques Rodrigues sobre o seu estado de espírito em relação às constantes intervenções, Sara Malcato não escondeu: "Fico sempre ansiosa, a verdade é que a última cirurgia que eu fiz, porque eu sinto sempre muita dor. Fiz com anestesia geral até aos 19 anos, mas depois a dos 19 anos já foi com local e as outras também. Senti sempre muita dor, a primeira vez que percebi que não era suposto foi no parto quando tive uma epidural e pensei que as minhas cirurgias do pacemaker deviam ser assim."
"Na última cirurgia que fiz, de 2019, depois do parto, eu disse que não ia sentir dor, porque já sinto muitas vezes quando venho aqui e sou submetida e já aprendi que não é suposto. Dessa vez, senti-me ouvida, não me senti ouvida antes, e aí já não senti dor absolutamente nenhuma. Com essa experiência, já fiquei mais tranquila e acredito que a partir de agora não vou aceitar sentir dor", concluiu.
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