Futebol As mágoas e os amores que marcam a vida de Rui Borges, treinador do Sporting
A vida de Rui Borges mudou radicalmente desde que chegou ao Sporting, em dezembro de 2024. Em pouco mais de um ano e meio, o treinador, de 45 anos, passou de uma figura ainda discreta do futebol português a um dos nomes mais acarinhados pelos adeptos leoninos, depois de conquistar um bicampeonato e uma Taça de Portugal.
Na época passada, porém, não conseguiu repetir os feitos e terminou a temporada sem qualquer troféu. Agora, parte para uma nova época com a confiança renovada e vontade de voltar a colocar os leões na luta pelos títulos. Depois de umas férias passadas entre Espanha e Mirandela, a sua terra natal, Rui Borges regressou ao trabalho e prepara este sábado o primeiro desafio oficial, frente ao Estrela da Amadora, após uma pré-época que deixou boas indicações.
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10/10 - Foto : Pedro Ferreira
Mas, muito antes dos títulos e da pressão de comandar um dos maiores clubes portugueses, está o homem que se autodefine como "simples", "direto" e "meigo". E, para perceber quem é Rui Borges fora das quatro linhas, é preciso conhecer a família que esteve consigo desde o início e os sacrifícios que fez pelo sonho de chegar ao topo.
Rui Borges é casado há 25 anos com Ana Luísa, o seu amor desde os tempos de escola, e juntos têm Mário. A relação começou quando ainda eram jovens e o casamento aconteceu depois de descobrirem que iam ser pais.
Sobre a mulher, o treinador não poupa elogios: "Apaixonei-me porque era muito bonita, muito tranquila, como eu, meiga. Ela passou por muita coisa ao longo da vida e sabe que lhe dou muito valor. Tentei sempre, de alguma forma, valorizar tudo o que tem feito por mim. É uma pessoa que amo muito. Acima de tudo, agradeço-lhe por tudo o que tem feito por mim, mesmo na minha ausência, com os meus erros em alguns momentos, ela jamais deixou de estar do meu lado."
Uma das maiores mágoas de Rui Borges está relacionada precisamente com o período em que ainda procurava construir uma carreira no como jogador. O treinador tinha apenas 19 anos quando nasceu Mário e admite que o futebol o obrigou a perder momentos importantes da infância do filho.
"O mais difícil foi abdicar de muito tempo perto da minha mulher e do meu filho. Custa-me muito, porque abdiquei de muito tempo com o meu filho", confessou, emocionado. "Fui pai novo e a mim custou-me. Olho para trás e vejo que perdi momentos da vida dele. Não desfrutei do meu filho, que é a pessoa que mais amo no mundo."
Mário acabou também por seguir o caminho do futebol e joga atualmente no CDC Montalegre. O pai não esconde o orgulho que sente pelo jovem. "É um bom miúdo. Orgulho-me da pessoa que é, até porque olho para ele e vejo uma pessoa com um caráter bem definido", afirmou.
No entanto, há ainda outra mágoa que ainda hoje permanece no coração de Rui Borges. O treinador mantém uma ligação muito forte à sua memória do avô Zé Pedro e chegou mesmo a eternizá-lo na pele. O avô era sapateiro e tinha uma relação muito próxima com o neto. Rui Borges recorda particularmente o dia da sua morte, quando chegou a casa e ainda conseguiu estar alguns minutos com ele. "Ele vivia em casa dos meus pais. Naquele dia ele passou o dia todo a perguntar quando o Rui chegava. Naquele dia cheguei mais tarde. Passei em casa, viu-me, 20, 30 minutos, falei com ele um bocadinho. Passado umas horas a minha mãe ligou-me a dizer que o meu avô estava a passar mal. Marcou-me porque acho que ele não quis ir sem se despedir do neto. Tenho muitas saudades dele", recordou.
Apesar de ser reservado, Rui Borges não esconde que tem um lado sentimental. "Sou um chorão.
Sou muito chegado à minha família", assumiu. Tem várias mulheres importantes na sua vida: a mãe, as irmãs e a mulher. E há uma que ocupa um lugar absolutamente especial. "A grande mulher da nossa vida é sempre a nossa mãe. Ela será sempre a minha maior inspiração, a mulher mais especial do mundo", afirmou, revelando que a mãe “quer sempre saber tudo” e que não hesita em chamá-lo à atenção quando entende que é preciso. “Várias vezes manda-me mensagens a dar uma dura sobre alguma coisa que disse", contou.
Rui Borges deixa claro que o maior reconhecimento não é aquele que recebe dos adeptos, mas o orgulho daqueles que sempre estiveram ao seu lado. "Sou apenas o Rui Borges de Mirandela, com todos os defeitos, todas as virtudes, um rapaz que acreditou num sonho e foi trilhando o seu caminho", disse. "O maior troféu que posso ter é o orgulho dos meus, a alegria do meu filho e dos meus pais."