Fora de Campo De Amorim a Gonçalo Ramos, Mora e Pote, Itália é o novo oásis dos futebolistas portugueses: os motivos para o êxodo dos craques para terras transalpinas
Primeiro foi Ruben Amorim, depois Gonçalo Ramos e Rodrigo Mora, e agora é a vez de Pote a juntar-se a Francisco Conceição e companhia. Itália está cada vez mais a ser um chamariz para os jogadores e treinadores portugueses: são já 17 na primeira divisão transalpina – sem contar com, por exemplo, Diego Moreira ou Beto, que também têm nacionalidade portuguesa paralelamente aos países que representam.
O facto de ser um campeonato de topo, repleto de história e com as principais equipas a terem a possibilidade de jogar dérbis e clássicos míticos, assim como as competições europeias – onde, este ano, já há confrontos confirmados contra os 'grandes' portugueses – tornaram-se atrativos para os futebolistas que estão fora do radar dos emblemas de elite europeus e que estão a procurar reconstruir o seu estatuto.
Em acréscimo, os salários competitivos (ainda que abaixo de países como Inglaterra ou os 'tubarões' das outras grandes ligas) e o estilo de vida invejável em cidades como Milão, Turim, Roma ou Florença, que, para além dos seus monumentos, estão repletas de locais que permitem aos futebolistas explorar ao máximo a sua vida fora de campo, são também fatores que levam os jogadores lusos a ver com bons olhos uma mudança para o país em forma de bota.
É também um interesse que flui em duas direções: em Itália, a possibilidade de recrutar jogadores com experiência nos principais clubes portugueses, mais ao alcance a nível financeiro em comparação com outras realidades, é uma das vertentes usadas pelos responsáveis para tentar que a Serie A regresse aos tempos áureos.
Indo por partes: Amorim tenta revalidar o estatuto de treinador muito promissor, que ficou comprometido com o tempo de menor sucesso em Inglaterra, e, para isso, viu em Gonçalo Ramos um potencial escudeiro para este desiderato, ele que se encontrava relegado à posição de suplente em Paris e pretendia um local com outra preponderância. A nível pessoal, o avançado teve em conta que a cidade lombarda representa uma base sólida para a sua família, ao lado da nova mulher, Margarida Amaral Domingues, e do seu filho de um ano, Bernardo.
Já se sabe, como a TV Guia também noticiou, que o algarvio irá viver junto ao Corso Como, local perto do centro milanês e a 10 quilómetros de carro da CityLife, sítio eleito por Amorim para desfrutar ao máximo do quotidiano da cidade da moda, onde o antigo trenador do Sporting irá ser "vizinho" de figuras como Chiara Ferragni.
Uma realidade pela qual também passa Ricardo Mangas, que trocou o Sporting pelo Monza, e também será em Milão, a menos de 20 quilómetros da cidade conhecida pela pista de Fórmula 1, que o seu filho, fruto da relação com Carly Santos, irá experienciar os primeiros anos de vida.
No campo desportivo, numa situação análoga a Gonçalo Ramos está Rodrigo Mora, que, no FC Porto, continuava a ser uma opção secundária relativamente aos colegas da mesma posição, fruto das exigências do sistema de Farioli. Uma conjuntura que contrasta com aquela que lhe é oferecida pelo seu novo treinador, Gasperini, que o considera um diamante por limar capaz de ter um futuro risonho na capital italiana e ajudar a equipa a subir de nível.
Já Pedro Gonçalves passou de ser um dos craques indiscutíveis do onze do Sporting para dispensável e esteve a um passo da Arábia Saudita, até que o interesse vindo do Médio Oriente desvaneceu: é pelas belas ruas de Florença que vai dar continuidade ao seu romance com Bruna Rafaela, que recentemente voltou a celebrar em cerimónia. Por fim, em Francisco Conceição, que já há dois anos que joga em Itália, a Juventus deposita esperanças para voltar a levantar um título que escapa há muito.
De referir que a Serie A é um campeonato que muito já disse ao futebol português, algo que também poderá ter influência no imaginário destes craques. Por lá passaram, entre muitos outros, Rui Costa (recentemente homenageado com pompa e circunstância em Florença), Fernando Couto, Sérgio Conceição e Nuno Gomes, que deixaram marcas indeléveis no 'calcio'. Mais tarde, também Cristiano Ronaldo, Rafael Leão, Mário Rui ou Rui Patrício escreveram importantes páginas de história, sem esquecer José Mourinho, que conseguiu levar a Roma um troféu europeu.