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Luís Represas com João Gil
1/7 - Foto : Amilcar Teixeira Luís Represas com João Gil
Luís Represas
2/7 - Foto : Rodrigo Simas Luís Represas
Luís Represas
3/7 - Foto : DR Luís Represas
Luís Represas
4/7 - Foto : DR Luís Represas
Luís Represas
5/7 - Foto : DR Luís Represas
Luís Represas com João Gil
6/7 - Foto : Mariline Alves Luís Represas com João Gil
Trovante em 1978
7/7 - Foto : Arquivo Correio da Manhã Trovante em 1978

Estrelas De jovem revolucionário a popstar: como Luís Represas e os Trovante se mantiveram no topo após mudança que até mereceu comentário de Álvaro Cunhal

22 de Julho de 2026 às 20:14
Associação da banda ao PCP nos primeiros anos de carreira levou-os a correr a Europa e a cimentarem-se no panorama português: transformação estílista afastou-os desse circuito e fê-los conquistar outros públicos até se tornarem numa das principais bandas do século XX
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Ainda que tenha acabado por firmar uma invejável carreira a solo, foi como voz dos Trovante (ou "do Trovante" como diria o próprio grupo) que Luís Represas, falecido nesta quarta-feira, 22 de julho, aos 69 anos, se evidenciou inicialmente, banda que faz parte do cancioneiro nacional e que trouxe temas que nunca cessarão de "invadir" as ondas de som dos portugueses como '125 Azul', 'Timor' ou 'Perdidamente'.

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Longe da sonoridade que acabou por constituir a era de maior sucesso, o conjunto formou-se inicialmente logo no pós-25 de Abril, e o seu repertório consistia de temas de intervenção e lutas sociais.

Um propósito que adveio de como o grupo surgiu, quando Represas, João Gil e Manuel Faria, entre os outros membros, pertenciam à União dos Estudantes Comunistas, tendo alguns atuado na Festa da Juventude e outros gizaram a criação de um grupo inspirado nestas temáticas – todos juntos acabariam por criar os Trovante, segundo relatou o investigador António Tilly, num artigo para a 'Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX'.

Esta matriz levou a que fossem convidados pelo PCP para participar em festivais internacionais em países como Cuba, a Alemanha de Leste ou a Checoslováquia e foi uma editora do partido que publicou o segundo álbum do conjunto. Ainda assim, Luís Represas sempre insistiu que não eram um grupo ligado a esta força partidária.

"Sempre tivemos uma postura muito clara em relação a isso: não éramos um grupo do PC, embora fôssemos militantes da UEC [ala estudantil do PCP] e participássemos nas atividades do partido, que era o que mais iniciativas culturais organizava. Mas não no sentido de só fazer o que o PC queria", explicou o cantor, em entrevista ao 'Público', em 2002.

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Anos mais tarde, numa conversa dos Trovante com o site 'Blitz', a propósito da reunião do grupo, reforçou este ponto: "Nós não éramos o grupo oficial do PCP, nada disso, mas o nosso discurso político era muito consistente com o que se passava no mundo, na América Latina. Em 1983, as coisas já estavam a abanar por todo o lado." Manuel Faria adendaria: "Já nenhum de nós era sequer do PCP."

A partir daí, Luís Represas e companhia decidiram seguir outro percurso, dedicando-se a um estilo mais apolítico, algo que causou alguma confusão na sua falange de fãs. "Quando começámos a trazer canções que não eram comprometidas, eles perguntam: “Mas o que é que vocês querem dizer com esta ‘Balada das Sete Saias'?", recorda.

"Que fique claro que termos ido a esses festivais internacionais, na Bulgária, na Checoslováquia, em Berlim, foi fundamental para o nosso crescimento. E isso aconteceu porque, de facto, estávamos próximos do PCP. É uma coisa que não esquecemos. Também fomos a Cuba, ao festival de 1978. Não olhamos para isso com desdém, antes pelo contrário", sublinhou o artista, que na sua carreira a solo não recuperou esse ativismo de outrora, com Manuel Faria a referir que esse circuito ficou descartado por essa alteração: "Quando voltámos em 1983, já com bateria e baixo, eles não gostaram nada."

Por fim, nesta mesma entrevista, Luís Represas revelou a opinião do próprio Álvaro Cunhal, então secretário-geral do PCP, sobre a viragem dos Trovante: "Houve um outro alguém que se acercou ao Álvaro Cunhal (...) e disse-lhe: 'Camarada, já viste? Aquela rapaziada do Trovante está a afastar-se, estão a fazer outras coisas.” E o Álvaro Cunhal disse-lhe: 'Estão eles a fazer muito bem. Deixa os rapazes. São jovens, deixa-os seguir o caminho deles. Os artistas são assim, têm de ter possibilidade e capacidade de voar. Têm de ser respeitados.' O outro meteu a viola no saco e foi à sua vida."

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