Casados à Primeira Vista Foi agredida várias vezes e chegou a pensar na morte: os dias de terror que Paula escondeu no Casados à Primeira Vista
A chegada de Paula Martins, de 61 anos, ao ‘Casados à Primeira Vista’ trouxe uma lufada de ar fresco. A simpatia e boa disposição da terapeuta sentimental conquistaram Carlos Henriques, embora nesta fase da experiência, o casal esteja cada vez mais desavindo.
A verdade é que, apesar de encarar sempre a vida com um sorriso, a nova concorrente da experiência social da SIC carrega uma história de vida marcada por muita tristeza.
E o seu primeiro casamento com o pai da sua filha, Cátia, deixou marcas eternas. Apaixonaram-se quando Paula tinha apenas 17 anos, mas só começaram a viver juntos quando completou 25. “O meu desafio com aquele homem foi ‘tu fazes mal às mulheres, mas vou dar-te uma lição. E sou a mulher que te vai tirar das mulheres todas, vou fazer de ti um homem fiel’”, confidencia numa entrevista a Júlia Pinheiro em 2023. E conseguiu tal feito. Mas, ao mesmo tempo, acabou por entrar num relacionamento abusivo.
"Se fosse só bater, eu tinha ficado com ele. Eram murros, pontapés, coisas muito graves"
Este ex-companheiro, que entretanto já morreu, não gostava de que Paula fosse uma mulher financeiramente independente nem tão pouco da forma como se vestia. E era muito ciumento. “Começou a ser tudo muito pesado, chamava-me nomes... E nunca lhe dei motivos para ter ciúmes, vivia para ele, tínhamos dinheiro, tínhamos tudo”, recorda. Nessa altura, o companheiro não permitia sequer que Paula fosse a um café com o pai. Em casa, sucediam-se os episódios de violência. “Mas se fosse só bater, eu tinha ficado com ele. Eram murros, pontapés, coisas muito graves”, adianta.
O caso chegou a uma gravidade tal que a concorrente de ‘Casados à Primeira Vista’ chegou a ponderar o suicídio. “Fiquei virada do sétimo andar para ir lá abaixo, carros em andamento e eu abri as portas para me mandar... Já não aguentava mais ele estar-me a dizer que eu tinha outros homens. Chegou até a fazê-lo à frente dos meus pais”, frisa.
Hoje, tantos anos volvidos, a candidata de Belas explica o motivo pelo qual muitas vítimas de violência doméstica não saem de casa e dá o seu exemplo. “Há o medo de serem mortas e de que matem as pessoas que estão à volta”, aponta, insistindo que apesar de tudo, “o lado bom dele, era muito bom.” “Mas depois tinha o lado mau, que era muito mau.”
Durante toda a relação, Paula lutou para engravidar e só conseguiu cinco anos depois de se terem juntado. “Ele também me bateu durante a gravidez... Com os ciúmes, não respeitava ninguém. Eu cheguei a esconder-me em casa”, relata. Ainda assim, foi com a chegada da filha que decidiu mudar de vida. “A minha filha salvou-me. Se não tivesse a minha filha, nunca me separava dele. Ele fazia-me as vontades todas”, diz.
Quando Cátia tinha cerca de 5 anos de idade, Paula chegou a uma conclusão: “Ou ele me mata, ou eu mato-me.” E foi aí que decidiu agir. Foi num 15 de fevereiro que tudo aconteceu. “Disse que queria que ele fosse comprar peixe, fechei-me em casa, liguei para a polícia a dizer ‘por favor, venham-me buscar, estou em casa com uma menor e tenho uma pessoa que me quer agredir’”, conta.
E assim foi, acabou por ir viver durante um curto período de tempo para casa dos pais, mas escondeu-se depois durante um ano para não ser encontrada. Apesar desta história triste, Paula nunca quis agarrar-se a ela pelo lado mau e encara-a hoje como algo que mudou a sua vida.