Estrelas José Gonçalez perdeu cedo o pai, ex-jogador do Sporting, e o irmão antes de dar a volta por cima graças à RTP: os dramas que marcaram o apresentador de Em Casa d'Amália
O fadista José Gonçalez ganhou um novo nível de patamar entre os portugueses ao apresentar o programa 'Em Casa d'Amália', que está no ar desde 2020 e é exibido aos sábados na RTP1, configurando umo um sucesso de audiências na estação pública.
O que poucos sabem é que a infância do músico não foi nada fácil, como ele chegou a relatar numa publicação feita no blogue onde outrora expressava os seus sentimentos sobre vários temas. Num deles, falou sobre como a morte prematura do pai, Joaquim Gonçalez, um antigo hoquista do Sporting, abanou a estrutura da sua família, com a mãe obrigada a desdobrar-se para garantir a felicidade da prole.
"Sou o quarto filho, o mais novo de um casamento feliz, pelo menos sempre assim o vi, mas muito curto. O meu pai faleceu apenas com 47 anos, tinha eu 12 e todos os meus irmãos eram menores. A minha mãe, com uma força inexplicável, agarrou-se à vida, e criou a pulso, sozinha, quatro filhos", começou por escrever o alentejano.
De seguida, abriu o coração sobre as parcimónia sob a qual a sua família vivia: "Não tivemos nada de especial, não. Mas tivemos sempre amor, e muito, de uma mulher única. Tivemos quem à noite, deixasse debaixo da porta, ao longo de vários anos, um envelope com algum dinheiro, nunca até hoje soubemos que o fazia. Tivemos natais e festas, só com um jantarito reforçado, e um par de meias por prenda. Mas teve sempre a minha mãe, o mais profundo carinho e afecto para nos pôr na mesa, na cama, nos braços."
Esta não foi a única amargura com a qual teve de lidar: "Sei que estou muito longe de ser o que minha mãe imaginou, mas espero não a ter desiludido muitas vezes, que a vida, essa, tenho a certeza, desiludiu-a por completo. Se não bastasse a morte de meu pai, veio também a doença da minha irmã, a morte do meu irmão Paulo, e tudo o que eu tenho sido, o que me têm chamado e acusado tantas vezes."
Por fim, deixou uma emotiva dedicatória à mãe, ela que viria a falecer em 2022: "Quando a vejo agarrada àquela bengala, que lhe permite ainda dar alguns passos, penso para mim, que mulher extraordinária, que sofreu quase tudo na vida, como lutou contra tudo e como resistiu e resiste. Lamento profundamente, o facto de também eu ter contribuído para lhe carregar os dias, resta-me uma certeza que sempre me preencheu, sei que falhei e que falho, sei que estarei muito longe de ser o filho que sempre sonhou, mas jamais lhe negarei o meu amor, a minha entrega e sobretudo o meu mais profundo reconhecimento."
De forma contrastante, anos mais tarde, a possibilidade de ter um segmento na RTP1, 'O Grande Prémio do Fado', em 2011, tornou-se num momento de grande felicidade para o artista, sem nunca esquecer quem já não teve a possibilidade de assistir à sua ascensão. "Quanto me custou esta luta, mas que prazer me dá agora! Que bom seria ter cá o meu pai e o meu irmão", afirmou, no mesmo blogue.
Esta incursão televisiva fê-lo pela primeira vez deixar a sua terra natal, Estremoz, numa mudança que foi, segundo confessou, carregada de arduidades: "Não foi fácil! Não está a ser fácil! Não será fácil! Deixar tudo, os que amamos, alguns amigos, a terra que nos viu nascer, apesar de tantas vezes me terem tratado tão mal! Sempre disse, onde quer que fosse, ou estivesse, que era de Estremoz! Sempre o continuarei a dizer Não sei o que pensará o meu pai lá no céu, mas sei o que pensa, e sofre nesta altura a minha mãe. Afinal, sendo o mais novo, sempre fui o seu menino."