Estrelas Big Brother estreou-se há 26 anos: o que é feito de Zé Maria, o primeiro vencedor? As novidades sobre a vida do 'símbolo do programa'
Foi a 3 de setembro de 2000 que chegou à televisão portuguesa o programa que viria a mudar o panorama audiovisual português. Teresa Guilherme era a anfitriã e abriu a porta da 'casa mais vigiada do país' a 12 concorrentes, que entravam numa experiência inédita.
Ainda esta sexta-feira, 4 de setembro, a apresentadora recordou aquilo que viveu. "Os 12 magníficos entraram pela primeira vez na Casa para um programa que mudou a televisão portuguesa. E o querido Zé Maria será para sempre o símbolo do programa", escreveu a comentadora do 'Noite das Estrelas', da CMTV.
Mas o que é hoje feito do barranquenho que ficou para sempre na memória dos portugueses como 'Zé Maria das Galinhas'? Foi no dia 31 de dezembro de 2000 que Zé Maria saiu do primeiro 'Big Brother' com 20 mil contos, algo a que hoje correspondem mais de 100 mil euros. Com um país inteiro a seus pés, antevia-se um futuro promissor para aquele rapaz de 27 anos. Contudo, a euforia, o reconhecimento e a atenção pública tiveram o impacto inverso na vida do alentejano que só desejava uma coisa: ser o mesmo homem que tinha sido até então.
Este era o primeiro reality show em Portugal e ninguém sabia o que iria acontecer quando deixasse a casa mais vigiada do País. Para muitos, Zé Maria tornara-se um ídolo e não havia quem não o quisesse abraçar. Começou a ser abordado para as mais diferentes frentes. Era uma estrela improvável, um anónimo que, sem nunca esperar, se tinha tornado uma celebridade.
Nessa altura, as portas da televisão abriram-se. Estreou-se com o 'Mulheres de A a Zé', em que o objetivo da TVI era encontrar uma verdadeira dona para o seu coração já que a companheira de programa e que muitos acreditaram vir a ser sua namorada, Susana, a eterna 'Cabeça Amarela', não estava para aí virada. Vingou nas audiências, mas falhou no objetivo principal: encontrar o amor de Zé Maria. Em 2002 ainda entrou no primeiro 'Big Brother Famosos', mas não repetiu o sucesso da participação anterior, desistindo do formato poucas semanas após a estreia.
Ainda assim, oportunidades para brilhar não lhe faltaram. Enquanto isto, ia sendo pago a peso de ouro dado o impacto que tinha junto do público. O vencedor do 'Big Brother' era contactado para campanhas publicitárias, presenças em discotecas. Entrou numa espiral de loucura de onde já só queria sair pouco tempo depois. "Lá dentro não representei, mas cá fora deixei um pouco de ser eu próprio. Temos de encarnar uma personagem criada sem querer. As pessoas esperam que estejamos sempre bem-dispostos e com sorrisos. Mas somos pessoas normais, também temos os nossos problemas", explicava à época.
Foi precisamente o mediatismo que o levou ao declínio. Longe de saber lidar com os holofotes da fama, o barranquenho colapsou e sofreu com graves problemas psiquiátricos. Uma profunda depressão levou-o ao limite. Em 2004, aconteceu mesmo o pior. Farto de tudo, Zé Maria parou o carro no tabuleiro da Ponte 25 de Abril e desceu à linha férrea com um único objetivo: o de pôr termo à vida. Quis o destino que acabasse salvo por dois elementos da Brigada de Trânsito da GNR. Mas este foi o seu grito de socorro. O célebre vencedor do Big Brother precisava de ajuda.
Depois disto, os episódios continuavam: foi visto a sair de casa em tronco nu, no Cais do Sodré, com dois gatos bebés ao colo e tentava, novamente, o suicídio. Estas tentativas de acabar com a sua própria vida levaram-no ao seu primeiro internamento no Hospital Curry Cabral, em Lisboa. Mais tarde, esteve no Miguel Bombarda de onde acabaria por ser transferido para a Clínica Psiquiátrica de São José.
Tinha-se tornado urgente afastá-lo da esfera pública. E assim foi até aos dias de hoje. Aos poucos, com a ajuda de quem mais o ama, Zé Maria conseguiu voltar à sua normalidade. Vive em Barrancos com os pais, é jardineiro na Câmara de Barrancos, ganha o ordenado mínimo e quer estar sossegado no seu canto.
Naquela vila alentejana, quem o conhece garante que vive deprimido, vai ao café tomar o seu descafeinado depois do trabalho, faz compras para os pais, ainda vivos, e volta para casa. Tem muito poucos amigos na vila, não se lhe conhecem relacionamentos amorosos. “É um eremita que se fecha em casa e só aparece muito discreto em ocasiões como o Carnaval ou na garraiada das festas em Honra de Nossa Senhora da Conceição, em agosto", contou um vizinho à TV Guia em 2025.
Mais recentemente, em entrevista à nossa revista, Marta Cardoso, que ainda hoje mantém contacto com o vencedor do programa em que também ela se estreou, falou sobre o seu estado. "Ele está, de facto, bem. Vamos tendo as mesmas conversas parvas que tínhamos no ‘Big Brother’, manda-me fotografias dos cães, das flores, vou participando na vida dele dentro do que posso. E não o vejo mais porque Barrancos é muito longe, não é um sítio onde passe muitas vezes e ele também não vem cá muito", confidenciou.
A apresentadora do 'Extra' dos reality shows da TVI garantiu que vai sabendo dele e que faz questão de manter esta proximidade. Não obstante, esclareceu ainda o que levou o amigo a 'desaparecer' por completo das luzes da ribalta. "Há uma coisa que eu percebo que seja difícil as pessoas entenderem, mas isto é um bocadinho transversal a todos os concorrentes do primeiro 'Big Brother': fomos atrás de uma experiência, vivemos o que tínhamos de viver e rapidamente cada um voltou à sua vida e deixem-nos estar porque só fomos viver uma experiência", garantiu.
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