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Foto: João Trindade
O jogador Ruben Amorim com a camisola do Benfica.Apresentação de
Foto: João Trindade
O jogador, acompanhado pelo director desportivo, exibe o seu cartão
Foto: Marco Alpozzi / AP
Milan's head coach Ruben Amorim smiles prior to the Serie A soccer match between Torino and Milan at the Stadio
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Ruben Amorim, head coach of AC Milan reacts during a pre-season soccer friendly between AC Milan and Inter in Perth,
Foto: Vítor Chi
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Foto: Miguel Barreira
O treinador dá instruções ao jogador, durante o jogo
Foto: Paulo Calado
O jogador em ação com a bola, durante o jogo

Estrelas Foi dispensado, voltou pela porta grande e recusou regressar por duas vezes: a conturbada história de Ruben Amorim com o Benfica, o seu clube do coração

16 de Setembro de 2026 às 15:15
Treinador do AC Milan tem uma ligação quase umbilical ao emblema da Luz, com a sorte a ter ditado um reencontro nesta temporada

Ruben Amorim reencontra, nesta quarta-feira, 16 de setembro, o Benfica, clube onde passou a maior parte da carreira e pelo qual tem uma paixão que nunca escondeu, nem mesmo quando vestia as cores do Sporting, o grande rival da Segunda Circular, tendo treinado vários dérbis a representar o verde e branco. Agora no Milan, e num jogo que pouco tem de decisivo, o técnico português vai voltar a defrontar o emblema da Luz. 

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Para além de qualquer afeição enquanto adepto, que teve início bem cedo na sua vida, a história entre Amorim e o Benfica começou no longínquo ano de 1994. Acabou dispensado, quando, em 1998, sob a direção de Vale e Azevedo, os encarnados colocam um fim nas equipas secundárias da formação. "O Ruben chorou baba e ranho", contou Virgílio, pai de Ruben, ao 'Mais Futebol'.

Já depois de passar pelo C.A.C. da Pontinha e pelo Ginásio de Corroios, o pai de Ruben Amorim tenta colocá-lo novamente na Luz. Na altura, várias caras proeminentes apoiavam o seu regresso, e chegou a treinar durante duas semanas no clube, mas este desiderato esbarrou na 'nega' de Nené, antigo craque do Benfica que coordenava a formação das águias.

Assim, Amorim foi treinar ao Belenenses, e foi de Cruz de Cristo ao peito que arrancou no futebol sénior. Depois de seis épocas no Restelo, quatro na equipa principal, foi a vez do Benfica bater à porta do médio, pagando 1 milhão ao Belenenses, e este acabou por anuir e escolher com o coração, como mais tarde admitiu, abdicando de dinheiro para poder singrar no Benfica.

"Naquela altura, iria ganhar mais num clube alemão que me queria do que alguma vez ganhei no Benfica, mesmo no último ano, em que já tinha renovado e já com algum estatuto", contou, à 'Tribuna Expresso', em 2017, lembrando que o Benfica, na altura, pouco apostava em portugueses. "Foi-me dito mil vezes para escolher outros clubes, porque, vindo eu de um clube mais pequeno, não teria hipótese lá", recorda, antes de deixar uma frase profética: "Os meus sonhos de miúdo eram jogar no Benfica e no Milan. Cumpri um. Agora, tenho de ser treinador no outro."

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Recomeçou assim a história do antigo futebolista envergando as cores encarnadas e logo no segundo ano torna-se campeão nacional, já sob o comando de Jorge Jesus, o homem que inspiraria as suas ideias enquanto treinador, mas com quem teve vários desaguisados.  Foi, inclusivamente, por incompatibilidade com o atual selecionador nacional que saiu do Benfica por empréstimo para o Sp. Braga, onde passou um ano e meio, apesar de treinar muitas vezes condicionado com uma lesão que já persistia desde os 24 anos e atrapalhou a sua forma física.

Regressaria depois à Luz, onde foi novamente campeão, apesar de se ter mostrado reticente. "Saí de Braga, voltei para o Benfica... Fui porque o presidente Vieira, sou sincero, disse que eu não saía, porque eu já tinha ido para Braga e não queria voltar porque não queria voltar a trabalhar com o mister Jesus, na altura. Não queria e ele e toda a gente sabe, mas foi o melhor que me aconteceu", relembrou.

Essa época histórica, que incluiu uma chegada à final da Liga Europa, competição que será palco do reencontro desta temporada, parecia significar uma mudança das fortunas do futuro treinador, mas, logo na época seguinte, sofreu uma dura lesão que o afastou dos relvados. "Recuperei do cruzado, mas as tendinites voltaram com muita força e senti que tinha de ir para o Qatar e falei com o presidente e disse-lhe que tinha de seguir outro caminho", contou Amorim.

Esta não foi, todavia, a última reunião que o atual treinador do Milan teve com os encarnados. Em 2019, depois da primeira etapa da sua carreira de técnico, no Casa Pia, esteve a um passo de firmar contrato com os encarnados, mas acabou por rejeitar a oferta para ocupar o lugar deixado vago por Luís Tralhão – que, por coincidência, é hoje o treinador da outra equipa lusa na Liga Europa, o Torreense. Em vez disso, tornou-se treinador da equipa B do Sp. Braga.

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"Fui para o Sp. Braga e não fui para o Benfica porque no clube não temos controlo total sobre as camadas jovens. Sentia que isso era importante para mim porque, da forma como vejo o futebol, o treinador precisa de controlar também essa vertente", explicaria, depois, à BBC. A realidade é que a opção revelou-se certeira. Nos guerreiros do Minho, foi promovido à equipa principal, e, logo nessa temporada, foi contratado pelo Sporting. Neste verão, foi associado ao Benfica, mas na conferência de imprensa de antecâmara do duelo com as águias, esclareceu que não cogitou qualquer regresso ao país-natal.

Ainda assim, em 2017, na supramencionada entrevista ao 'Expresso', não escondeu que se vê como futuro treinador dos encarnados: "Para já ainda é cedo. (...) Vejo-me a treinar o Benfica, o que será treinar um grande clube mundial. Claro que só o tempo o dirá e é preciso tanta sorte, além do saber, por isso ainda nem penso nisso, só penso em começar a carreira e logo se vê."

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