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Mafalda Castro
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Mafalda Castro
Mafalda de Castro
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Estrelas Mafalda Castro conta tudo sobre a luta da mãe contra doença degenerativa e como acabou por mudar a sua vida

28 de Março de 2026 às 14:58
Antiga estrela da TVI elogia coragem da progenitora que recebeu diagnóstico de esclerose múltipla em 2016 e revela como foi a sua reação à notícia

Mafalda Castro relatou, no 'Alta Definição', da SIC, como foi o processo de encarar o diagnóstico recebido pela sua mãe de esclerose múltipla em 2016.

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"Passei a minha vida toda a ver a minha mãe e o meu pai como mãe e o pai e eu própria não sabia que eles eram outras pessoas, não só mãe e pai. Foi aí que percebi que a minha mãe não era só mãe, era uma outra pessoa, porque só a mãe e o pai é que são invencíveis no nosso imaginário, naquilo que idealizamos", começou por dizer a apresentadora da TVI.

"Foi mau, mas foi pior com o tempo. Aquele impacto inicial assusta. Eu tinha vindo de uma viagem, eles esperaram e quando cheguei do aeroporto eles disseram-me: 'A mãe fez análises e exames e tem esclerose múltipla'. Perguntei se tinha mesmo, se não queriam fazer outras análises, e disseram: 'Tem mesmo.", continuou.

Mafalda analisou o impacto de tudo isto na sua vida: "Fui para o meu quarto, pensar naquilo, pesquisar coisas, mas acho que com o tempo torna-se mais assustador. É uma doença que é degenerativa, portanto é com o tempo as coisas evoluem, torna-se mais assustador ver que é real, quando tens uma notícia assim esperas que passe, mas uma coisa dessas não passa."

"Saberes que é uma coisa que vai acompanhar a vida toda da tua mãe, a tua vida. Só com o tempo é que consegues ter a noção, porque vais-te safando, quando acontece uma coisa, mas passa, há sequelas e passa o pior, mas aqui o tempo é incerto, está sempre lá. É a pior parte", lamentou.

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"Conheci um outro lado da minha mãe com esta doença, eu não sabia que ela era assim. É engraçado ser uma doença a mostrar-me isso. Ela não passou um dia deitada na cama. Ela nunca se entregou, por muitas dores que tivesse, e por tudo o que passou, porque já passou por vários episódios, sempre encarou a vida. Isso fez-me admirá-la ainda mais", relatou.

Questionada por Daniel Oliveira sobre o que diz à progenitora para amenizar a situação, Mafalda ressalvou: "É mais ela que tenta que a situação seja mais leve do que eu. Há dias que são mais tristes e que temos de lidar com resultados médicos, com mudanças de medicação, com mil e uma coisas. Eu digo-lhe: 'Mãe, é OK chorar, é suposto estarmos tristes'. Estar em paz com estar triste é normal, não faz mal. As nossas dores não têm de ser menores só porque há dores maiores."

"Quero ser o sítio a que a minha mãe vai quando precisa de chorar, não quero que ela chore sozinha, quero que ela chore comigo. Quero ser esse sítio para a minha mãe. Procuro ser [a fortaleza], mas sem pressão para isso. Uma pessoa que é forte para os outros e pode ser o porto seguro de outros também tem fragilidades, também precisa que alguém seja o seu porto seguro, podemos ser os alicerces uns dos outros", disse. Mais tarde, admitiu: "Fez-me olhar para as coisas de forma diferente, fez-me olhar para tudo e pensar que às vezes há sempre alguma coisa que não vai estar bem."

"Quero ser o sítio a que a minha mãe vai quando precisa de chorar, não quero que ela chore sozinha, quero que ela chore comigo"

mafalda castro
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Sobre o porquê de não se ter pronunciado publicamente sobre este assunto numa fase inicial, a apresentadora declarou: "Não havia necessidade de falar disso, é a vida da minha mãe, sempre que falei disto foi com algum propósito, nas minhas redes, ou de chegar a alguém, na altura foi porque os hospitais deixaram de ter acesso a medicação. Lembro-me de falar sobre o que estava a acontecer na neurologia dos hospitais e depois até se mudou alguma coisa, não sei se foi por causa de um 'story', mas se for fico triste."

Mafalda Castro referiu ainda como lidava com os piores momentos quando tinha de se mostrar animada na rádio e na televisão: "Já fui trabalhar em dias maus, mas temos de nos esquecer. As pessoas também vão trabalhar tristes quando acontece alguma coisa. O nosso é um bocado mais chato porque temos de nos rir e temos de estar bem-dispostos também, mas se não estivermos um dia ou outro não faz mal."

"Com a situação da minha mãe, cada vez que havia alguma coisa relacionada com ela e nesse dia tinha um direto, custava-me muito fazê-lo, porque ela não estava a ver, porque não havia aquela coisa habitual. Lembro-me de fazer rádio nessa altura em que soube de tudo, havia muitos exames e coisas, falhei em algumas coisas, não estive presente em alturas em que acho que devia ter estado. Quando é relacionado com a minha mãe, custa-me muito", sublinhou.

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"Falhei em algumas coisas, não estive presente em alturas em que acho que devia ter estado. Quando é relacionado com a minha mãe, custa-me muito"

mafalda castro

Interrogada pelo apresentador em relação ao que a doença da mãe mudou na forma como enfrenta a maternidade, declarou: "É uma coisa que vai estar sempre presente, já aceitei isso, a minha mãe já aceitou apesar de haver dias em que obviamente ninguém aceita. Regra geral: é uma coisa que vai estar sempre presente. Vais estar sempre preparado para o que a vida te der. Por muito mau que seja, sinto que se não estivermos preparados vamos ter de estar. Enfrentar a maternidade assim, é diferente."

"Sempre fomos muito próximas uma da outra. Foi só uma coisa que nos veio aproximar mais. Nunca esquecemos quando os nossos pais dizem que têm orgulho em nós, quando a minha mãe diz, que não diz muitas vezes, mas diz algumas... é muito especial para mim", prosseguiu Mafalda Castro.

Posteriormente, revelou que, após os diretos, gosta de receber mensagens da mãe: "Quero sempre receber uma mensagem da minha mãe, ela não falha. Ela diz mal também. Não aceito bem [risos], fico a pensar naquilo durante três ou quatro dias. Digo-lhe: 'vou ver, vou pensar.'"

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