Estrelas Matilde Breyner explica cancelamento do seu espetáculo no festival de César Mourão... e não foi por motivos políticos
Matilde Breyner foi um dos nomes que saltou do cartaz do festival Commedia a la Carte, que começa nesta quinta-feira, 29 de outubro e do qual César Mourão é um dos organizadores, na sequência de diversos cancelamentos, vários dos quais, como o de Inês Aires Pereira, provocados pelas polémicas posições e declarações de Jerry Seinfeld, cabeça de cartaz do evento, a favor do estado de Israel e contra a Palestina – já durante o conflito que causou a morte de mais de 75 mil pessoas na faixa de Gaza.
Todavia, a atriz revelou que não foi por motivos políticos que cessou a sua participação no festival. "É um tema sensível, porque eu acho que tudo que eu disser aqui pode se virar contra mim, se for tirado de contexto", começou por dizer no podcast '... Em 40 Minutos', do Observador, acrescentando: "E hoje em dia toda a gente tem de ser ou de um lado ou do outro, não há um intermédio."
"Pensei muito antes de tomar a minha posição, que nem foi uma tomada de posição, foi decidir o que eu ia fazer. E eu decidi sair do festival, não fazer o meu espetáculo, por uma questão muito simples: porque a produção do festival esteve parada muito tempo, por causa desta polémica toda, e isso afetou a produção do meu espetáculo", continuou.
Assim, concluiu que não estavam reunidas as condições para que o seu 'show' fosse para a frente: "Eu não tive tempo de ensaiar, não tive tempo de montar o espetáculo que eu queria, até porque o César [Mourão] ia encenar o meu espetáculo. Ele foi meu professor, o César Mourão ia encenar o meu espetáculo e como tu deves calcular, o espetáculo, o festival é dele."
"E com esta polémica toda, obviamente que não há cabeça, não há estrutura, sequer para encenar um espetáculo de raiz. Tomei a decisão de sair do festival, em conjunto com a produção, tomamos esta decisão de: 'Não vou estrear agora, porque tudo isto pode afetar a qualidade do meu espetáculo' e também porque o festival onde eu iria participar era uma coisa e agora é outra, depois desta polémica toda", esclarece.
Por fim, questionada se, como Inês Aires Pereira, desconhecia a posição de Jerry Seinfeld – ele que, recentemente, voltou a causar polémica, ao afirmar perante manifestantes num espetáculo seu, que iria doar dos bilhetes a Israel e disse mesmo: "É um genocídio. Eu gosto!" – quando aceitou o convite, Matilde Breyner frisou: "Vou dizer só uma coisa, que é: sabia das posições do Jerry Seinfeld quando aceitei participar no festival. Conheço o Jerry Seinfeld, conheço o 'background' dele. Mas eu acredito que partilhar um cartaz não é partilhar as mesmas posições políticas. É só isto que eu vou dizer. E tenho muito respeito por quem me convidou para fazer parte do festival e eu aceitei, disse que sim."
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