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Silas Andersen
Foto: João Morais/Sporting
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Foto: Ben McShane
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Foto: Häcken
Silas Andersen

Fora de Campo Não tem relação com o pai, afastou-se da mãe para perseguir o sonho e apanhou garrafas para ter dinheiro: o outro lado de Silas Andersen, novo craque do Sporting

14 de Julho de 2026 às 17:03
Jovem de 22 anos viveu momentos delicados na infância e mostra enorme gratidão à mãe por tê-lo conseguido sustentar a ele e aos três irmãos

Com a pré-temporada do Sporting em marcha, um dos nomes que mais curiosidade gera nos adeptos leoninos será o de Silas Andersen, jovem médio dinamarquês de 22 anos contratado ao Häcken, da Suécia, onde estava desde o verão de 2025.

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Ser parte do plantel do emblema verde e branco é o atingir de um desejo após ter sido forçado a dar a volta pelo lado mais complicado, já que já havia estado num grande europeu, o Inter de Milão. Mas esta nem é a parte mais sonante deste percurso de sucesso. Natural do sul de Copenhaga, desde cedo eram percetíveis os seus dotes com o esférico, tanto que o FC Copenhaga, o clube de maior sucesso recente da realidade dinamarquesa, o recrutou ao modesto Sundby.

Depois, chegou a grande decisão da sua vida. Segundo o 'Sportbladet', quando tinha apenas 12 anos, a sua mãe, Catrine, deixou a capital dinamarquesa para se deslocar para Bornholm, ilha da Dinamarca próxima da costa sueca com cerca de 40 mil habitantes. Antevendo que uma mudança destas iria atrapalhar a sua caminhada no desporto-rei, preferiu ficar em Copenhaga, apesar de o seu irmão dois anos mais novo também se ter mudado para o território insular.

"Queria continuar a jogar futebol e ia começar a treinar com o FC Copenhaga um par de vezes por semana. Não queria deixar isso para me mudar para Bornholm", explicou, à mesma publicação, em julho de 2025. Assim, escolheu outro caminho contando com a ajuda de um profissional do seu antigo clube. "Mudei-me para uma família de acolhimento onde o pai, Bo, trabalhava no Sundby", recordou o reforço do Sporting, contando: "É a minha família alargada. Eles são muito próximos de mim. Tenho duas famílias."

Já a relação com o outro progenitor sempre foi inexistente. "Eu não tenho contacto com ele. Ele vive na Dinamarca, mas nem a minha mãe nem nós temos contacto com ele. Foi provavelmente em parte por causa dele que a minha mãe se mudou. Ele não fez parte do nosso crescimento", relatou. "Claro que eu preferia ter tido um pai como os outros tiveram, para estar lá para mim e para os meus irmãos, mas não foi o caso", lamentou Silas.

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No que toca à mãe, a sua gratidão é bem explícita: "A minha mãe teve de lidar com as dificuldades de ter três filhos, um trabalho em part-time e um T2. Haver três irmãos... havia algumas lutas e palavrões. Ela fez um trabalho incrível connosco. (...) Não foi fácil para a minha mãe pôr comida na mesa com um 'part-time'."

"Eu não conseguia comprar novas chuteiras sempre que precisava. Joguei com as mesmas durante vários anos e depois ficava com os sapatos e as roupas dos meus irmãos", relembra, continuando: "Colecionávamos garrafas de devolução nas ruas, tanto como hobby como para ter algum dinheiro extra. Esses tempos são parte do meu legado. Nem tudo na vida é fácil, mas são essas as coisas que nos tornam mais fortes."

Mais tarde, deixaria finalmente Copenhaga mas para viver o seu sonho de chegar a um grande clube. Após o Inter de Milão ter detetado o seu talento, Andersen fez as malas e viajou para Itália, ainda com 17 anos. 

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"Escrevi uma lista de vantagens e desvantagens, e cheguei à conclusão de que devia ir embora. Era o que eu queria e é um grande reconhecimento. Foi o Inter que fez uma proposta concreta e não se pode dizer não a isso, é um grande clube. Era um sonho de infância e agora estou a um passo daquilo que quero alcançar", reforçou, à publicação dinamarquesa 'Lixen', na altura.

Nas duas épocas em que esteve em Itália – foi ainda emprestado ao Genoa durante um período – nunca conseguiu atingir a equipa principal, onde a concorrência era feroz, dado que o plantel nerazzurro continha alguns dos melhores médios do campeonato italiano.

Ainda assim, isso não derrubou a sua perseverança e tentou a sua sorte nos Países Baixos, começando na segunda equipa do Utrecht. Após outras duas temporadas, e somente dois jogos na principal formação do emblema neerlandês, regressou à Europa do Norte, mais concretamente ao Häcken, da Suécia.

E foi lá que, enfim, voltou a destacar-se, venceu a Taça em 2025 e tornou-se num dos melhores jogadores do campeonato – na imprensa sueca fala-se até de que o clube dificilmente manterá a mesma qualidade sem ele – conseguindo uma nova oportunidade num clube de maior dimensão, pela porta do Sporting, em troca de dez milhões, valor recorde para o Häcken.

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