Fora de Campo A última mensagem, o mistério do terço e o gesto dos pais de Diogo Jota: as memórias de Rute Cardoso do triste adeus ao amor da sua vida
Aquela madrugada de 3 de julho de 2025 jamais sairá da memória de todos os que privaram com Diogo Jota e André Silva, um instante que transformou para sempre o significado das palavras saudade, ausência e eternidade. Um pai e uma mãe que perderam os dois filhos, duas mulheres que ficaram sem os companheiros de uma vida, três crianças que se tornaram órfãs.
As últimas horas dos dois irmãos com vida foram de uma normalidade desarmante. André Silva e Diogo Jota tinham jantado em casa da irmã de Rute Cardoso, hoje viúva do craque do Liverpool, com os pais, as companheiras e outros familiares. Não havia qualquer prenúncio de que aqueles momentos simples passariam a ser recordados para sempre como os últimos vividos em família. “Vai com Deus”, foi a última mensagem que Rute enviou e que recebeu resposta do marido. Uma coincidência arrepiante e com uma carga mística para todos aqueles que acreditam numa força superior, como é o caso deste clã.
As horas seguintes transformaram-se lentamente num pesadelo. Rute começou a perceber que as mensagens deixavam de ser entregues, ainda tentou falar com o cunhado, mas sem respostas. Pediu ajuda a Paula, a namorada de André. Também não sabia de nada. Houve chamadas para hospitais, hotéis e nenhuma resposta. Até que Vítor, tio de Rute, camionista e que trabalhava frequentemente em Espanha conseguiu estabelecer contacto com as autoridades espanholas. Em pouco tempo veio a trágica notícia.
E o mundo da mulher de Diogo Jota desmoronou, apesar de inicialmente não ter aceitado a verdade. “Comecei a aperceber-me de que podia ser verdade, embora quisesse acreditar que isso era impossível. Tenho marcados 11 quilómetros no relógio feitos naquela noite só a andar no pátio da casa da minha irmã”, diz no livro ‘Diogo Jota – Nunca Mais é Muito Tempo’.
Quem nunca abandonou a família foi João Camacho, da Gestifute, empresa de Jorge Mendes, que trabalhava com Jota desde meados de 2013. Vizinho de Isabel e Joaquim prontificou-se a acompanhá-los até Espanha para o reconhecimento dos corpos. Pelo caminho, os pais ainda pensaram dirigir-se ao local do acidente. Mas, quando estavam perto, receberam indicação para seguirem diretamente para a funerária. Lá, viram as carrinhas com os corpos a chegarem. Um agente da guardia civil aconselhou-os a que não vissem nada, mas o pai quis olhar uma última vez para os seus meninos. Chorou como nunca. “Foi o momento mais horrível da minha vida”, assume na biografia de Diogo Jota.
Contrariamente ao que aconteceu com os sogros, Rute Cardoso chegou a ir até ao local do acidente. Queria ver o marido uma última vez e encontrar o terço que lhe dera dias antes quando estiveram em Fátima e cumpriu uma promessa feita a Nossa Senhora. As autoridades impediram-na de se aproximar, receando que guardasse para sempre aquela imagem devastadora. Ainda assim, o chefe da polícia prometeu-lhe que o procurariam. E encontraram um terço. Mas era o de André. O de Diogo nunca apareceu.