Fora de Campo Antes dos milhões, João Palhinha chegou a receber o salário num envelope que guardava no hotel: o passado do novo craque do Benfica
Aos 31 anos, João Palhinha protagonizou a transferência mais mediática deste verão, ao mudar-se para o Benfica, vindo de uma época em Inglaterra por empréstimo do Bayern. Na Luz, o médio internacional português irá auferir um salário de cerca de 2,5 milhões de euros líquidos, segundo avança a imprensa desportiva.
No início da carreira sénior, todavia, a realidade era bem diferente. Apesar do vínculo ao Sporting, clube onde terminou a sua formação, João Palhinha chegou a levar para casa vencimentos mais modestos, como aconteceu no Moreirense, onde esteve emprestado pelos leões em 2015/16 e recebia... num envelope.
"Às vezes tenho saudades desses momentos. Acho que é o mais bonito do futebol. É olhar para dez anos atrás e estar no Moreirense, estar com instalações totalmente diferentes, condições nada a ver. Na altura, até recebíamos o ordenado em notas num envelope, vinham os cêntimos, moedas e tudo", disse, no podcast 'Jogo pelo Jogo', em março, quando ainda representava o Tottenham.
"Na altura, era e eu não sei se não continua a ser porque o presidente [Vítor Magalhães] é o mesmo. No dia a seguir, guardava o envelope no hotel em que vivia, no dia a seguir ia diretamente ao banco", recorda, acrescentando: "Havia assim coisas... eu vivia em Vizela na altura e acordava com o sino tipo da igreja. Vivia no Hotel das Termas em Vizela, nunca mais me esqueço."
"Com 19 aninhos, era um miúdo. Das coisas que me deixam mais orgulho hoje é passado dez anos, perceber realmente o que consegui conquistar, sabes? E a diferença de patamares e dou-me mesmo muito orgulho por tudo aquilo que tenho vindo a atingir", afirmou o futuro jogador dos encarnados.
João Palhinha continuou, quase que prevendo a sua mudança poucos meses depois: "Até me sabe muito bem, quando volto a Portugal, ir certas vezes às origens. No dia de amanhã, eu quero voltar para Portugal também e e sei bem que o futebol muitas vezes é uma fantasia. Nós vivemos numa bolha muito muito pequena comparativamente com a sociedade em geral e às vezes temos que nos manter na [realidade]."
Por fim, esclareceu: "Não sou de tiques de estrela, sou o que sou hoje e sou o mesmo João que era do Moreirense, um bocadinho com mais barba provavelmente [risos], e quem me conhece acho que concorda comigo."