Estrelas Da reação arrepiante da mãe ao motivo para contar tudo em público: como a vida de Ana Arrebentinha mudou ao assumir ser homossexual
Ana Arrebentinha, de 32 anos de idade, é hoje uma das humoristas mais acarinhadas em Portugal. Tem um percurso de superação, de alguém que deixou a Amareleja, no Alentejo, para vingar em Lisboa. Pelo caminho, sofreu duras perdas, desde a morte do pai, à perda da mãe vítima de uma doença prolongada. E, embora tenha passado por muito, encontrou sempre no humor um escape e uma salvação.
Presença habitual em televisão, surpreendeu tudo e todos em 2024, numa entrevista a Tânia Ribas de Oliveira, na RTP1, ao assumir a sua orientação sexual. Quando a apresentadora – que é sua amiga de longa data – a questionou sobre se os pais sabiam tudo sobre a sua vida, Ana Arrebentinha emocionou-se. “O meu pai não, a minha mãe sabia. O meu pai não chegou a saber o que é que eu era, na realidade, quem é que eu sou: sou uma pessoa que gosta de pessoas”, respondeu, assumindo assim a sua homossexualidade.
Mesmo tendo esta mágoa por nunca ter existido uma conversa com o progenitor, Ana Arrebentinha recordou com carinho a reação emotiva da mãe quando falou com ela. “Quando eu chego ao pé da minha mãe a dizer que gostava… da mulher que estava comigo naquela altura, a minha mãe olhou para mim e disse-me ‘Filha, fui eu que te pari. Eu sei e estava já triste por tu não me teres contado’. Teve a melhor reação da minha vida. Ela só me disse: ‘Para mim, é igual’…”, lembrou, de lágrimas nos olhos.
Por essa altura, Tânia Ribas de Oliveira quis ainda saber se a convidada já tinha encontrado a mulher da sua vida, ao que Ana Arrebentinha respondeu: “Não. O amor é uma coisa muito séria, eu vivi o amor em casa, e o amor é respeito, é lealdade. É todo um conjunto de coisas e é muito difícil encontrar alguém que tenha tudo isso.”
"Não tenho que andar a dizer o que sou, mas ao mesmo tempo tenho que mostrar aquilo que sou. Nós não temos que mostrar a diferença, temos que mostrar a normalidade"
Esta revelação deu muito que falar nessa altura. A humorista não se arrepende do que fez e garante que sempre foi uma pessoa “muito livre”, “guiada pela liberdade.” “Na altura senti esse necessidade de partilhar isso, surgiu esse tema e partilhei. Fi-lo por mim, claro. Tentamos resguardar a nossa vida privada, mas às vezes se falarmos um bocadinho mais, ajudamos sempre o outro que está lá em casa. Tive a sorte de ter uma família para quem está tudo bem, mas lá em casa pode estar alguém ainda nesse processo”, assumiu numa entrevista ao programa ‘Para Si’, explicando que o fez também para poder ajudar quem sinta o mesmo do que ela. “Não tenho que andar a dizer o que sou, mas ao mesmo tempo tenho que mostrar aquilo que sou. Nós não temos que mostrar a diferença, temos que mostrar a normalidade. Mas neste espaço ainda há muita coisa para mudar, não tenho que andar a dizer o que sou, mas se puder partilhar e ajudar alguém, tanto melhor”, insistiu.
Já este sábado, 6 de junho, no programa ‘Alta Definição’, Ana Arrebentinha também abordou o assunto. “Parece que somos alguém à parte. Parece que a homossexualidade se apanha aqui no banco do jardim. Parece que eu ao gostar de mulheres, os meus filhos vão ser homossexuais… Os meus pais eram heterossexuais e eu não sou”, adiantou, explicando em seguida: “Parece que é uma coisa que se pega… Isto não é uma doença, isto somos nós, é a nossa liberdade, sem incomodar a vida do outro. Quem não me aceita como eu sou, não me faz falta. Vá viver a sua vida, a minha não vai viver”
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