Estrelas Da relação falhada com um ex-craque do Benfica à amizade com Diogo Jota e Rute Cardoso: a incrível história de vida de Andreia Nunes, a primeira mulher a tornar-se dona de um clube de futebol em Portugal
Andreia Nunes L’Or tornou-se na primeira mulher a deter a maioria do capital de uma SAD de um clube de futebol em Portugal, tendo investido no Alcochetense, do Campeonato de Portugal (quarto escalão), numa história que foi notícia dentro e fora das fronteiras nacionais.
Filha de empresários de uma pastelaria, tirou um curso de design de bolos aos 18 anos e abriu uma empresa nessa área. Apaixonou-se pelo futebolista Ivan Cavaleiro, na altura a jogar no Benfica, e com ele viveu momentos dramáticos, tendo tido uma primeira gravidez que não evoluiu, já em fase avançada, antes do nascimento do primogénito Jaden.
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Ivan Cavaleiro e Andreia Nunes
“Sofri antes do Jaden uma perda, duas perdas depois, mas uma não considero muito porque era ainda muito prematuro, eram só seis semaninhas. A primeira vez para mim foi a pior: é a primeira gravidez, aquela gravidez que contamos a toda a gente”, afirmou, ao podcast ‘Só Mais 5 Minutos’, da apresentadora Catarina Miranda, em 2022.
Este foi um verdadeiro pesadelo que a fez pôr tudo em causa. “Já estava com quatro meses e tal, já tinha nome, já toda a gente sabia, estava à espera do baby shower e, de repente, não havia batimentos cardíacos. Para mim, isso foi uma perda. Já estava tudo para acontecer, já tinha tudo ganhado nome e vida. Na gravidez do Jaden faço o inverso: ocultei a gravidez até aos seis meses e não comprei nada até aos oito”, completou.
Foi essa a batalha que acabou por travar com sucesso em 2017, aos 22 anos, quando finalmente conseguiu cumprir o sonho de ser mãe, numa gravidez que, ainda assim, foi marcada por problemas de saúde, como confessara. Quando o filho tinha apenas dois anos, viveu o susto de uma vida. Prestes a deixar Jaden na escola, o carro onde seguiam capotou por três vezes e ela chegou a temer o pior.
“Sem sequer me aperceber do que tinha acontecido, aqueles segundos sem fim a rebolar, o pânico do estrondo, do fumo, dos airbags, dos vidros por todo o lado, e eu sem ouvir um único som do Jaden. Foi a pior sensação da minha vida. Lá me consegui desprender, e ganhar coragem de ver o estado dele, com aquele olhar de pânico, só disse: 'mamã partiu', foi quando o tirei com cuidado”, descreveu, nas redes sociais.
Apesar do frenesim que a maternidade havia atribuído à dimensão pessoal da sua vida, Andreia quis ampliar horizontes, ingressando num curso de Design de Moda que redundou na criação de uma nova empresa, a Januca, nome inspirado nas iniciais do descendente.
Foi aí que começou a chamar a atenção mediática através da sua veia empreendedora. A pandemia impediu que erguesse uma loja física, ficando-se pelo online, mas as suas coleções foram usadas em televisão, inclusive pela influenciadora digital e antiga cara da TVI Helena Coelho, num indício de que este projeto estava a ter sucesso.
“Uma coach incentivou-me e ela respondeu logo, até disse que a Cristina Ferreira deu muito bom feedback do fato. As expectativas foram cumpridas, esgotámos todos os artigos”, relatou, na altura, numa entrevista ao site da Universidade Autónoma de Lisboa.
Ainda que, em termos profissionais, Andreia Nunes tenha conseguido levar esta iniciativa a bom porto, foi também nesta época que confirmou que o seu romance com Ivan Cavaleiro havia chegado ao fim. “Tínhamos missões e propósitos desalinhados e então cada um seguiu o seu caminho, foi só isso”, garantira, respondendo à curiosidade dos 100 mil seguidores com que já contava nas redes sociais.
Um ano depois, assumiria uma nova relação, desta feita com o empresário neerlandês Django L’or, fundador de uma holding e de um grupo de investimento que tem participações em marcas como a KuantoKusta e foi fundador da Paybyrd, na qual trabalhou durante oito meses enquanto responsável pela Comunicação. Dessa união, que resultou em casamento em 2024, foi mãe por mais duas vezes, de Lara e Caetana, a última das quais em janeiro de 2025.
Ainda nesse ano, em julho, marcou presença no casamento de Diogo Jota e Rute Cardoso, enquanto amiga do casal, e não escondeu a tristeza aquando da notícia trágica da morte do craque, dias depois, com um longo discurso nas redes sociais, no qual afirmou que se agarrou à fé para amenizar este momento delicado.
Após ter também sido ‘coach’ e dado palestras de empreendimento feminino, a chegada ao futebol, onde viu no Alcochetense uma oportunidade de investimento, foi o recuperar de uma paixão que já há muito trazia consigo.
É que, na verdade, Andreia começou a jogar com 13 anos, ocupava a posição de médio defensiva, representou a seleção distrital de Setúbal e esteve no Quintajense e no Palmense, tendo ainda treinado no Belenenses. Contudo, o facto de não ter ajudas financeiras levou-a a não querer ir jogar para Lisboa.
O fim desta curta carreira deu-se precisamente pelos parcos rendimentos que antevia ter pelo seu trabalho nas quatro linhas. “Não havia tantas oportunidades. Depois, comecei a trabalhar, a receber dinheiro, já era empresária na altura, ganhava um valor bastante bom que sabia que não ia receber no futebol. E acabou o sonho”, recordou, em entrevista a ‘A Bola’.
Aí, indicou os primeiros objetivos para o seu projeto, para o qual conta com André Geraldes, ex-‘team manager’ do Sporting e antigo presidente da SAD do Estrela da Amadora: tornar-se no melhor clube do distrito de Setúbal e conseguir a promoção à Liga 3. Contudo, assegura que o investimento não será fora dos limites. “Não deixa de ser um negócio, tem de ser viável para todas as partes”, frisou.
Admitidamente, aproveitou os seus conhecimentos na área da Comunicação para trazer mediatismo para esta sua nova incursão. “Foi por isso também que tornámos isto público. Para além de ser mulher, que já dá alguma visibilidade, também para ajudar a equipa a tornar-se mais visível, ajudar a trazer pessoas que queiram agregar valor. (…) Hoje, todas as marcas têm que ter presença nas redes sociais e o futebol não é exceção”, relatou, à publicação desportiva.
Nessa entrevista, aproveitou ainda para desvalorizar os comentários machistas de que foi alvo, a que já havia aludido numa partilha nas redes sociais, apontando para o seu histórico no desporto-rei.
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