Estrelas João Bettencourt abre o coração sobre crescer com pai ausente: os dois encontros silenciosos, os momentos em que sentiu falta e o amor pela mãe
João Bettencourt cresceu sem o pai presente, tendo apenas estado com ele por duas ocasiões, mas recebeu, tal como a irmã, Joana, todo o apoio possível por parte da mãe, Sandra, que fez questão de assegurar que tivesse um crescimento sem qualquer problemas.
O ator de 'Páginas da Vida' abordou a questão familiar, na sua entrevista no 'Alta Definição'. "O que me marcou mais na minha infância, para além de todas as brincadeiras e amizades, foi o momento de perceber que eu, a minha irmã e a minha mãe temos de estar juntos. Perceber que somos nós e que se não estivéssemos juntos, não funcionaria. O momento em que percebi que a minha mãe não podia estar sozinha marcou-me muito", começou por dizer.
"Andava em algumas chatices, foi aí que senti um bocado a falta de um pai para me dizer: ‘Calma, atina-te lá’. Muitas vezes, e tenho consciência disso, falamos mal para os nossos pais porque não temos a perspetiva de como eles estão a olhar para nós. (…) Senti que faltava a parte mais ‘pai’ que abafava um bocadinho e muitas vezes peço desculpa à minha mãe pela forma como eu falava. (...) A minha mãe sempre fez tudo por mim, nunca senti falta de nada", afirmou. Pelo meio, deixou elogios à irmã, de quem foi inseparável, ela que se encontra atualmente grávida.
Mais tarde, explicou os pequenos pormenores em que sentiu o vazio da ausência de um progenitor: "Foi naquela transição de ver os meus amigos com os pais, que tinham os pais juntos, quando via a malta que tinha o pai a ir buscar-lhes ao futebol. Essas coisas criaram em mim questões. Quando comecei a abrir-me mais para a minha mãe, ela começou a perceber tudo, sempre fez de tudo para estar comigo e para me apoiar."
"Não tinha contacto com o meu pai. Ainda hoje, não tenho. Conheço-o, mas hoje em dia vivo tranquilo com isso. Já quis conhecê-lo mais, mas também percebi que, quando uma pessoa não quer estar contigo, não vais fazer força para estar com ela", admitiu, acrescentando: "Comecei a ganhar essa consciência e a perceber que realmente o melhor é confiares em ti, respeitares-te, e se eventualmente um dia isso acontecer, pensarei se quero ou não, e aí falarei."
"Nunca olhei para isso como um ‘desamor’, mais como um ‘tu é que perdeste’. Esteja onde estiver, que seja muito feliz e desejo-lhe tudo do melhor. (…) Não faço ideia onde está, não tenho mesmo contacto", sublinhou o ator de 24 anos.
Após ser questionado por Daniel Oliveira sobre como foram os encontros que teve com ele, João Bettencourt relatou: "Estive com ele, não fui capaz [de dizer alguma coisa]. É estranho porque apesar de tudo é meu pai, e é estranho, porque não queres dar peso a isso, mas quando vês o teu pai, ficas… Estive duas vezes com ele: depois, mais tarde estive… foi igual, cinco minutos."
"É estranho o facto de nunca ter falado com ele e a primeira vez em que estou com ele eu sei que é meu pai. Sente-se isso. É quase como se quisesse chamar pai e não podia, porque não foi um pai para mim, mas não deixa de ser. É uma mistura de pensamentos, e foi-o quando o vi. Houve um abraço seco, sem se perceber o que era aquela emoção, um abraço vazio", frisou.
Por fim, mostrou-se tranquilo com a situação: "Nunca [houve uma manifestação de orgulho]. Não preciso, tenho a minha mãe, a irmã, o meu avô, a minha namorada, a minha família que me dá isso tudo."
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