Fora de Campo Muito mais do que uma relação treinador-jogador: como Marco Silva levantou João Palhinha no momento mais difícil da carreira antes do reencontro no Benfica
A chegada de João Palhinha, de 31 anos, ao Benfica leva-o a reencontrar Marco Silva, o seu treinador durante aquela que para muitos foi a melhor fase da sua carreira, quando era um dos pilares de uma equipa do Fulham que superou as expetativas.
Foi também com ajuda do treinador das águias que conseguiu ultrapassar um dos momentos mais complicados da sua carreira, quando viu a sua transferência para o Bayern de Munique cair, em setembro de 2023, numa altura em que já havia feito os testes médicos e estava nas instalações dos bávaros – foi só um ano depois que Palhinha conseguiria esta transferência para o gigante alemão.
Pouco depois da transferência falhada, Marco Silva, então timoneiro do Fulham, revelara publicamente: "Foi um dia difícil para o João, ele vai precisar de apoio. Ele é um jogador que dá sempre 100%, mas teve a hipótese de ir para um dos maiores clubes do mundo e esteve muito perto. É fácil de imaginar o impacto num futebolista quando estas coisas acontecem. Ele vai precisar de apoio de todos nós – staff, adeptos e colegas."
Anos mais tarde, já em 2026, João Palhinha revelou o que se passou nos bastidores desse momento que não esconde ter sido especialmente duro. "Pensei que, aos 28 anos, ter essa oportunidade e não acontecer, com as expetativas que querias... Depois, a verdade é que eles voltaram a aparecer e eu acho que tenho muito mérito nisso. Porque, apesar dessa frustração e desilusão que tive nessa altura, ter feito mais um ano de alto nível na Premier League levou que eles aparecessem outra vez", declarou, no podcast 'Jogo pelo Jogo'.
O médio elogiou a estrutura do Bayern e a atitude que tiveram na época: "Eles sempre foram transparentes comigo, não me iludiram, não me disseram que um ano depois estavam a bater à porta outra vez. Tanto que eu tive a reação que tive, estava nas instalações do Bayern e lembro-me de agarrar o meu pai e o irmão a chorar. Tinha os papéis à minha frente, tinha estado três horas a fazer exames médicos."
"Fiquei chateado porque era uma oportunidade de uma vida. Nas nossas áreas, sonhamos chegar ao mais alto nível. Saber que aos 28 anos tinha aquilo à minha frente e não se concretizar custou-me muito", recordou, tecendo loas à forma como Marco Silva geriu a situação: "O próprio Marco não me ligou logo e deixou-me digerir. Lembro-me que depois tive um estágio na Seleção que acabou por ser benéfico, porque não me apresentei logo no clube. (...) O Marco é um homem do futebol."
"Estive 10 ou 11 horas num escritório no centro de treinos do Fulham para garantir que me deixassem ir, porque o dono nunca está nas instalações do clube, quem trata é sempre ali o diretor desportivo, e ele andava ali sempre a fugir de mim, tentava sempre passar a responsabilidade para o dono, que vivia nos Estados Unidos e não atendia por causa da diferença horário. (...) Passadas 11 horas, lá me deixou viajar, mas sem a garantia que ele me deixasse assinar", frisou o novo médio do Benfica.
Anteriormente, nesta mesma conversa com o trio de anfitriões Tomás da Cunha, Vasco Elvas e Tiago Almeida, o internacional português tinha já afirmado que o técnico encarnado foi aquele que dele melhor extraiu rendimento: "Depois do Ruben [Amorim], apanhei o Marco e foi provavelmente o treinador que me conseguiu desenvolver mais e puxar mais por mim."