Fora de Campo Perdeu a mãe aos 17 anos, dedicou-lhe a ida ao Mundial e nunca larga objeto especial que lhe pertencia: a história emotiva de Kaminski, nova estrela do Benfica
Jakub Kaminski é uma das esperanças do Benfica para a luta para o título da nova época: aos 24 anos, o internacional polaco tem também ele um desafio diferente, tendo sido contratado pelas águias por 17 milhões de euros ao FC Colónia da Alemanha.
Anteriormente na sua vida, corria o ano de 2020, o extremo passou por um momento muito difícil: a morte da mãe, Jolene, quando tinha apenas 17 anos e ainda alinhava no Lech Poznan. A triste notícia foi recebida pelo então jovem no dia antes de um jogo contra o Górnik Zabrze, na sua época de estreia. Kaminski acabou por jogar, não obstante a dor, não tendo informado os colegas até ao final do encontro.
Anos mais tarde, Kuba, como é carinhosamente conhecido pelos mais próximos, não escondeu que este momento lhe deixou um vazio inultrapassável. "Para o resto da minha vida, vou ter dificuldade em lidar com o facto que a minha mãe já não está ao meu lado. Sei que ela me está sempre a observar, e está comigo", frisou, em declarações citadas pelo 'Przeglad Sportowy', pouco antes do Mundial de 2022, um dos momentos altos da carreira.
Para ter a progenitora sempre consigo, ficou com o colar que lhe pertencia e que tem a letra J: "O nome da minha mãe era Jolanta, por isso o 'J' dourado. Ela usou o colar até morrer, e, desde então, tenho-o ao pescoço. De certa forma, fiquei com parte dela: é o meu amuleto, a minha força", referiu, assinalando: "Claro que o trouxe até ao Qatar, significa que a minha mãe está cá comigo."
1/1 - Foto : Direitos da fotografia: Sportowy Fakty
Jakub Kaminski mostrou o colar numa entrevista ao 'Sportowe Fakty'
"Ela foi a todos os meus jogos na formação. Dói-me quando não consigo visitar a campa dela. Às vezes, só quero sentar-me no cemitério e falar. (...) Nós comunicamos através do colar. Eu peço ao meu pai para pôr tudo arranjado a campa. Ele está lá quase todos os dias e manda-me fotos do cemitério", contou, pela mesma altura, ao 'Sportowe Fakty'.
Quando se estreou nesse Campeonato do Mundo frente ao México, foi questionado por um jornalista sobre se tinha "falado" com a sua mãe após o jogo, e respondeu: "Claro que sim. O irmão dela mandou-me uma fotografia da campa dela e disse que a tinham visitado antes do jogo, que lhe disseram que ia ser titular e pediram-lhe para fazer figas por mim."
Previamente ao início da competição, o pai, Pawel, revelara: "Acho que o 'Kuba' está a dedicar este Mundial à mãe. Mesmo quando nos despedimos, ele disse: 'Pai, acende uma vela à mamã na campa dela."
Antiga ginasta, Jolanta foi um dos dínamos para a perseverança mostrada pelo agora futebolista do Benfica para chegar longe. "Ninguém achava na altura que o Jakub pudesse ser internacional pela Polónia. A mãe dele, contudo, pensou que algo poderia advir daí. Ela ia a quase todos os jogos e falava com ele para que continuasse a ter esperança. O coração da mãe dele estava pleno da crença que o Kuba poderia alcançar algo bom no futuro."
Em 2025, voltou a recordar o momento mais difícil da sua vida. "Foi uma altura muito delicada para mim. Recebi um telefonema no meio da noite do meu pai e irmão, era o dia antes do jogo. Fui para o treino nessa manhã como sempre e acabei os meus trabalhos para a escola. Disse a mim próprio que tinha de jogar neste jogo. (...) Joguei muito bem e ganhámos. Depois do jogo, disse a todos o que tinha acontecido, e recebi um grande apoio do clube e do treinador", relatou, à supramencionada publicação.
Hoje em dia, volvidos seis anos desde a tragédia, Kaminski já está a construir a sua família. Está noivo de Monika Wojtas e o casal está atualmente à espera do primeiro filho.