Estrelas Foi gozada por jogar à bola, mas entrou para a história do futebol feminino português: a incrível vida de Kika Nazareth
Aos 23 anos de idade, Kika Nazareth volta a entrar para a história do mundial. A atleta portuguesa sagrou-se este sábado, 23 de maio, vencedora da Liga dos Campeões feminina, depois da vitória do Barcelona perante o Lyon. Foi a segunda jogadora portuguesa a vencer a prova, depois de Jéssica Silva o ter feito em 2019/2020 ao serviço do Lyon.
A verdade é que ao longo do seu percurso, Kika Nazareth está habituada a bater recordes. O gosto pelo futebol sempre existiu, mas tudo começou... no futsal. Numa primeira fase na escola e, em 2011 passou a vestir as cores de Os Torpedos, um clube de São Domingos de Benfica, onde permaneceu durante cinco temporadas.
Nos primeiros tempos em que jogava, chegou a ser alvo de comentários dos rapazes com quem jogava e até do treinador. “Mandavam [bocas], até porque acho que, seja no futebol ou noutra coisa, dói mais a um rapaz perder com uma rapariga. Sentia isso, mesmo com os meus colegas de equipa. Mas eu queria era jogar à bola e era-me indiferente o que diziam, as provocações. Lembro-me de ouvir um treinador dizer: ‘Dá pau na gaja’, mas isso entrava por um ouvido e saía pelo outro”, contou numa entrevista à revista ‘Sábado’.
"Não havia muitas meninas a jogar futebol, portanto era muito eu e os rapazes, e sempre foi, acredito que para alguns, meio complicado"
Nessa altura não era fácil impor-se. “Não havia muitas meninas a jogar futebol, portanto era muito eu e os rapazes, e sempre foi, acredito que para alguns, meio complicado. Acho que tive uma infância um bocadinho chata nesse sentido porque os meus melhores amigos hoje em dia eram uns anormais, e eu tenho esta conversa com eles, eram uns anormais... Por eu jogar, porque às vezes íamos a torneios e eu ganhava o 'melhor jogador'... Eles eram maus", assumiu no podcast Watch Tm de Pedro Teixeira da Mota.
Aos 13 anos dá-se a transição para o futebol, no caso para o Futebol Benfica. E foi aí que tudo mudou na sua vida. “Jogava nas sub-17 e sub-19 e ainda treinei com as seniores. Estive lá uma época e depois fui para o Casa Pia, que já estava associado ao projeto do Benfica. Entretanto, o Benfica oficializa o futebol feminino e fui para lá, para as sub-17 e sub-19, e começo a fazer uns treinos com as seniores”, recordou à ‘Sábado’.
Tornar-se profissional nunca foi algo em que pensasse com afinco. Só quando chegou ao Benfica é que se apercebeu do que poderia ser a sua vida. “Só há relativamente pouco tempo, com 16 ou 17 anos, é que comecei a assimilar a dimensão das coisas e a perceber que se calhar podia fazer vida do futebol. Desde miúda até hoje (claro que atualmente a parte financeira é importante) eu jogo futebol porque gosto, é uma coisa que me dá prazer. E as coisas acabaram por acontecer”, garantiu à mesma publicação.
Quando assinou o seu primeiro contrato profissional com as águias não escondeu o orgulho, até porque é o seu clube do coração. Já aí estava consciente da responsabilidade que tinha em mãos. “A partir daqui tenho de demonstrar uma responsabilidade diferente, já é outro patamar, e é dar tudo e representar o meu clube ao máximo", afirmou à BTV. No Benfica conquistou quatro campeonatos nacionais e chegou a conduzir o clube aos quartos-de-final da Liga dos Campeões em 2023/2024.
Kika Nazareth já estava destinada a fazer história na modalidade quando, em 2024, saiu do clube da Luz rumo ao Barcelona. Os espanhóis, confiantes no seu talento, pagaram 500 mil euros pela sua transferência, a mais cara do futebol feminino português até à data. “Se pagaram esse valor para eu estar aqui, é porque acreditam em mim, é porque eu tenho valor. E eu acredito que eventualmente posso valer isso”, admitiu à chegada. Por lá tem feito vários jogos e tornou-se uma das glórias do clube, apesar de ter lidado com algumas lesões que a afastaram dos relvados.
Para o futuro, não pensa muito no que quer, até porque, como faz questão de ressalvar, nunca foi muito de “ter sonhos”. “Apercebo-me de que os tenho quando os concretizo. Há três anos eu não dizia todos os dias que queria ir jogar para o Barcelona. Sempre fui de deixar as coisas andar, o que tiver de ser é. Agora, se quero ser a melhor do mundo? Claro, não é o que todas as jogadoras querem? Ou ganhar um Europeu. Isso para mim é o mínimo exigido, é querer mais e mais e querer ganhar tudo”, contou à ‘Sábado’.
Discreta na vida pessoal, é uma mulher pacata, com uma tendência natural para ser líder e sempre bem disposta. Curiosamente, nos primeiros tempos na Catalunha não gostava de ficar em casa. “Gosto muito de conhecer pessoas, interesso-me muito pelas histórias dos outros. Ao início não sabia estar em casa [em Barcelona], se calhar não queria estar sozinha e ia muito jantar fora”, assumiu, explicando que com o tempo veio a descobrir que “estar sozinha também é bom” e foi aproveitando para se dedicar a outras paixões, como as aulas de catalão ou guitarra.
Recentemente, deu que falar ao ser convidada para subir ao palco de um dos espetáculos de Rosalía em Portugal. Apesar de ter sido sempre muito discreta sobre a sua vida pessoal, tendo apenas contado em tempos que terminou uma relação com um namorado devido a um despique que tinham em campo, mas com o qual acabou por criar uma bonita amizade, neste confessionário com a cantora espanhola falou abertamente sobre a sua vida amorosa com raparigas. Um dos seus desejos passa por construir família. Mas não para já. “Quero ter [filhos], mas ainda não estou a pensar nisso”, admitiu à ‘Sábado’.
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