Estrelas Joana Marques chora a morte da fã número 1: a homenagem arrepiante à avó que sonhou ser atriz e com quem teve uma relação indescritível
Joana Marques, de 40 anos de idade, está de luto. A animadora das manhãs da Rádio Renascença chora a morte da avó, com quem tem uma história muito especial. Aliás, apesar de ser um momento de dor, a humorista usa, mais uma vez, o humor para recordar uma vida “cheia”.
Segundo a parceira de Ana Galvão e Inês Lopes Gonçalves, esta familiar “era imortal até prova em contrário.” “Infelizmente a prova chegou. Mas felizmente tardou. Nenhum texto lhe fará justiça, mas como fã nº1 de qualquer coisa que eu escrevesse (com aquela parcialidade que vem com o amor incondicional dos avós), acho que merece uma última (que nunca será) homenagem”, prossegue.
Para Joana Marques esta avó era, para si, “avó Estela”, mas “teve vários nomes ao longo da vida.” “Contava-se que na escola era ‘Maria Rita’, porque estava sempre a rir, nomeadamente quando fazia imitações dos professores da ‘instrução primária’, que a repreendiam e a expulsavam da ‘classe’”, recorda, com um sorriso. Esta familiar chegou a pensar ser atriz, “mas [dizia] que não era uma profissão muito bem vista para meninas nascidas em 1923.” “Acredito que passou ao lado de uma grande carreira, mas tive a honra de fazer de sua encenadora em muitos teatros caseiros”, congratula-se Joana Marques.
A avó “Estela” foi colega de faculdade de nomes incontornáveis como Maria Barroso ou Sebastião da Gama e, tal como a neta, tinha um espírito muito “trocista”, explicando a Joana Marques que este era um “adjetivo, sinónimo de nós as duas”. E parecia estar destinada a ser uma estrela, como uma colega a chamava – e não era por um erro de grafia. “Era uma estrela. E não, não é ‘uma estrelinha que agora brilha no céu’, como se tenta impingir às crianças para as consolar na hora da partida, ela foi uma estrela aqui, todos os dias. Mas uma estrela rock. Acordava ao meio-dia, só comia o que lhe apetecia e, como qualquer rockstar, era transgressora”, prossegue a animadora da Renascença.
Juntas viveram experiências inesquecíveis, “fosse nas férias no Hotel do Vimeiro, em que o limite legal de gelados por dia era largamente ultrapassado ou anos mais tarde, quando me levava a festas às quais estava proibida de ir.” E a maior curiosidade é que partilhavam a data de aniversário. “Uma, sempre à frente, nascida a 2 de janeiro, a outra, sempre a seguir-lhe os passos, a 3. Em 2004 bastaram duas velas, fizemos 81 e 18. E ia jurar que os 18 eram dela”, diz Joana Marques.
Para a humorista a avó “viveu o suficiente para ter dois bisnetos, e direito a mais um nome: ‘Avó Catela’”. “Bisavó era um título demasiado pesado para alguém tão leve. Ainda repetiu as nossas brincadeiras com o Xavier, e passou horas a perguntar ‘onde está o Nico? Não está cá?’, com ele camuflado atrás dos cortinados da porta. Só as avós têm reposteiros na porta de casa, não é? Mas faz sentido, porque é como se estivéssemos a entrar em cena, num teatro em que tudo é possível”, prossegue nesta homenagem arrepiante.
"Tudo me lembra a minha avó: desde o Careca onde íamos lanchar e eu, perante mil possibilidades, escolhia uma desenxabida pirâmide, até às chamadas de telemarketing a impingir produtos, das quais a minha avó se safava alegando ‘essa senhora já não mora cá, já morreu’. E ríamos muito. Como voltei a rir agora"
Apesar de tentar encarar tudo isto com um sorriso, Joana Marques não deixa de assumir que é uma morte que lhe “custa” bastante. “Tudo me lembra a minha avó: desde o Careca onde íamos lanchar e eu, perante mil possibilidades, escolhia uma desenxabida pirâmide, até às chamadas de telemarketing a impingir produtos, das quais a minha avó se safava alegando ‘essa senhora já não mora cá, já morreu’. E ríamos muito. Como voltei a rir agora”, justifica.
Apesar de não ser supersticiosa há algo que agora a deixa a pensar. E a humorista afiança: “Durante anos, no Natal, oferecia-lhe um calendário, que ela pendurava religiosamente na cozinha. Era uma espécie de compromisso, para garantir que completava os doze meses seguintes. Nos últimos tempos, não sei porquê, deixei de dar. Agora posso ver isto como a quebra de uma superstição, que deu azar, ou como a assunção de que realmente não podemos obrigar ninguém a viver para sempre”, afirma.
Por fim, recorda a última imagem que tem da sua fã número 1: “A última imagem que tenho dela é à janela, onde ficava a acenar até dobrarmos a esquina. Assim estou eu, hoje, à janela. Só que ela felizmente não desaparece do meu horizonte, nunca. ‘Pelo sonho é que vamos’. Comovidos, mas nunca mudos. Porque a minha avó, a maior gralha de que há memória, detestava o silêncio. Nunca me vou esquecer dela porque é impossível esquecermos alguém que também somos. Nem é preciso ir vasculhar álbuns antigos, basta olhar ao espelho”, remata.
Também poderá gostar de
Como Noélia deu a volta ao negócio de Filipe Delgado e o ajudou a faturar milhares antes da 1.ª Companhia
Helena Coelho revela detalhe arrepiante do funeral de Jéssica Tavares, das Docemania, que envolve Luíza Abreu
Das imitações de marcas de luxo às meias da mãe: Liliana estreia-se a vender na Internet com Fábio e até a sogra lhe quis dar a mão
Últimas
Pode gostar de ler...
Mais Lidas