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Foto: Sérgio Lemos
Clara Pinto Correia
Foto: Vítor Mota
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Clara Pinto Correia

Estrelas O que ninguém sabia! Clara Pinto Correia sofreu um AVC no final do verão. Revelada a última crónica em que conta tudo, no dia da sua morte

10 de Dezembro de 2025 às 09:52
Quase um mês depois de ter revelado que foi abusada sexualmente por um homem, a escritora conta que o seu estado de saúde estava frágil desde agosto. Novas informações foram publicadas no dia em que foi encontrada morta na sua casa, em Estremoz

Antes de morrer, Clara Pinto Correia, de 65 anos de idade, deixou duas das suas maiores revelações escritas. A primeira, uma história que nunca havia contado, de que foi vítima de uma horrenda violação, no Natal de 2020, e que fez questão de partilhar com os leitores - no dia 25 de novembro - na sua crónica, no Página Um, jornal digital onde era colunista com 'A Deriva dos Continentes'. A bióloga mostrou-se feliz pela aprovação por parte do parlamento português dos crimes de violação como crimes públicos. 

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A última seria (pode lê-la na íntegra ) publicada exatamente no dia da sua morte, dia 9 de dezembro. E nela trazia mais uma revelação. A bióloga sofreu um AVC no final do verão. "Estou em Estremoz há cinco anos, e nunca fiz férias. Acima de tudo, tinha um desespero de me atirar mar adentro e me deixar ficar lá durante imenso, imenso tempo, para depois me oferecer ao sol da praia como um lagarto, os dedos enfiados na areia e o pensamento inebriado de sal e iodo. Desta vez é que foi a grande desforra: duas grandes amigas, uma com casa no Burgau e outra na Meia-Praia, convidaram-me ao mesmo tempo. Aquilo, assim, dava para tirar mais de uma semana inteira. Que maravilha", começa por contar. 

Parecia o cenário perfeito, não fosse esse destruído pelo problema de saúde. "Ou seja, teria dado, e teria sido uma maravilha, se não fosse o AVC. Assim, foram três dias de praia e cinco dias de hospital", lê-se. 

Clara Pinto Correia revela que teve "o AVC mesmo em frente da minha aminha da Meia-Praia" e que foi esta quem a levou de imediado para Lagos, onde acabou por ser transferida para Portimão. A escritora afirma que demorou "dois dias para recomeçar a falar e conseguir andar". Depois disso tudo parecia calmo e a recuperação sem grandes dificuldades. 

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"Depois há sequelas. E, quando nos dão alta, também não nos dizem nada a esse respeito"

clara pinto correia

Mas os meses que se seguiram não foram fáceis. "Depois há as sequelas. E, quando nos dão alta, também não nos dizem nada a esse respeito. Mas devia ser obrigatório dizerem, porque nós não nascemos ensinados." Clara Pinto Correia explica que começou a demorar muito mais tempo a escrever, porque se cansava, e que até começou a enviar os seus textos para as irmãs para ter a certeza que nada seguia para o diretor impecável. 

A escritora termina com um apelo. "Continuo a achar imperdoável que nunca se faça uma única campanha de esclarecimento, a nível nacional, sobre um problema que afecta tanta gente. (...) Quero é que a vida dos portugueses não acabe cedo demais porque nunca ninguém os ensinou a reconhecer o temível sinal de alarme que, de repente, se acende no meio de um nevoeiro cerrado." 

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