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João Melo, Simply the Best, TVI
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Ricky, João Melo e Francisco Mendes, finalistas do primeiro Big Brother Famosos
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Francisco Mendes e João Melo
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João Melo

Estrelas O segredo mais bem guardado do primeiro Big Brother Famosos: João Melo recebeu fortuna da TVI para substituir Zé Maria

16 de Março de 2026 às 18:27
Cantor de A Fúria do Açúcar foi aliciado com quantia considerável pela estação para entrar na casa do reality show

João Melo relembrou, durante a sua ida , a passagem pelo 'Big Brother Famosos', em 2002, quando foi uma das três celebridades convidadas pela TVI para colmatar as ausências de Jorge Cadete, que foi expulso pelos telespectadores, de Cinha Jardim e Julie Sergeant, que desistiram após a saída do ex-futebolista, e de Zé Maria, vencedor da edição inaugural do 'BB', que também cessou a sua participação um dia antes.

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"Convidaram-me ao princípio e eu recusei, obviamente, porque era o meu 'mindset' na altura. Houve uma quebra qualquer a meio do programa, saíram vários: o Cadete e a Cinha Jardim e não sei quê. E eles ficaram a abanar, não tinham concorrentes para acabar aquilo", relatou o vocalista de A Fúria do Açúcar, conjunto que selou o seu regresso em 2026, acrescentando: "E voltaram a ligar-me, ofeceram-me uma fortuna. Eu fiquei a tremer. E dizem: 'Mas tem de dizer já'. E eu respondi: 'Nem pense nisso.' Ligaram-me numa sexta-feira para entrar no domingo. Eu disse que era preciso pelo menos 24 horas para pensar."

"Eu não ia pensar nada, eu ia era perguntar a pessoas que considero que têm bom-senso e o juízo no sítio o que é que achavam. Perguntei a uma série de pessoas e toda a gente me dizia que ia ser espectacular para mim. Não era a resposta que queria ouvir, eu queria era sentir o respaldo de me dizerem 'Para isso, não, tens razão' e poder recusar aquele dinheiro todo", continuou o agora jurado do 'Simply the Best', da TVI.

Por isso, anuiu e deu o aval para ser integrado no jogo: "Passei as 24 horas nisto e pensei: 'Mas não há ninguém que discorde disto?' Acabei por aceitar, porque toda a gente dizia que ia ser fabuloso para mim enquanto pessoa. A experiência foi paradigmática: até hoje, tenho não os casos do que se passou lá, mas a experiência em si de estar completamente isolado, que é uma coisa única."

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João Melo confidenciou depois como foi essa experiência: "Permitiu-me compreender uma série de coisas na vida e hoje, às vezes para outros temas, deu-me uma experiência impagável. Ganhei imenso com aquilo. Uma coisa é sabermos de ler, outra é experimentar. Em relação ao tempo: o isolamento e a falta de estímulos exteriores faz com que o tempo vá baixando. É uma sensação real, eu passei lá 33 dias e para mim foram três meses. Há outra coisa interessante: percebi como funciona o cérebro ao nível das memórias e como funcionam os estímulos. Nós estamos sempre a processar informação e quando ela não existe, o tempo começa a ficar cada vez mais lento e nós começamos a ir cada vez mais longe nas memórias."

"Eu passei lá 33 dias e para mim foram três meses"

joão melo'

De seguida, a voz de 'Eu Gosto é do Verão' argumentou: "Ao fim de duas semanas, as minhas memórias mais quotidianas tinham desaparecido. Tinha-me esquecido do número de telefone, do PIN do telemóvel, do nome de pessoas com quem me dava regularmente nos últimos tempos. Esqueci-me de tudo! Cada vez tinha memórias mais antigas, da adolescência e da infância. Ou seja, o que realmente interessa para sobreviveres e viveres estão no 'hardware', têm de lá ficar guardadas. Outras como o PIN do telemóvel, são 'software', não precisamos realmente disso. (...) Houve tanta coisa que percebi ali dentro. Experiências fantásticas sobre o modo como funciona o cérebro, o tempo, o espaço-tempo. A nossa perceção das coisas foi uma experiência impagável."

Sobre os colegas que encontrou na casa, comentou: "Eu entrei com a Simara e com o Carlos Sampaio, entrámos os três a meio. Nunca me integrei assim muito. Talvez com quem tinha mais afinidade mental fosse com o Francisco Mendes, porque era músico. Os outros eu nem conhecia. Também estive uns três dias com aquele ator, o Nuno Homem de Sá. É delicado para mim, não os conhecia de lado nenhum e estar a privar ali todos os dias, como se fosse uma república de estudantes. Era complicado."

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"Nós não tínhamos noção das horas, era como se vivêssemos num templo budista. Era tudo em 'zen' lá dentro, ainda por cima éramos só quatro gajos lá dentro [a partir da expulsão de Nicole Quartin e Sónia Veiga, a duas semanas da final]. Não havia aquela coisa do sexo feminino que gera a guerra de egos nos homens. Aquele tipo de jogos desapareceu completamente. Com quatro gajos ali sem interesse uns nos outros ficou um bocado zen. Aí, qualquer coisa por mais insignificante que fosse era o cabo dos trabalhos. Havia um garfo na mesa e alguém gritava: 'Quem é que deixou aqui este garfo?'", referiu João Melo.

"Se me deixasse levar completamente por aquilo, tornava-me na cobaia, que era o que aquilo era. Tinha a noção daquilo que era aquele programa, tinha a consciência que era um hamster ali dentro. Tentava sempre pôr-me de fora para não cair no ridículo. Nessas alturas, tinha a sorte de perceber que era tudo absurdo e ridículo. Ficava tudo a discutir e depois iam chorar por causa de um garfo. Punha as mãos à cabeça e pensava que estava tudo doido", lembrou.

Ainda assim, reconhece: "Eu no fim já não estava a aguentar aquilo. Sonhava todas as noites que saltava o muro. Só o saber que não estava vigiado e não estava ali, só queria ter a sensação de liberdade, sair dali, não interessava para quê." Refira-se que João Melo chegou à final, que aconteceu a 3 de novembro de 2002, tendo terminado no terceiro lugar, apenas atrás de Francisco Mendes e do vencedor Ricky.

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