Estrelas A incrível história de Trubin, o homem que salvou o Benfica de José Mourinho: da fuga à guerra no Donbass ao sonho de ganhar dinheiro para salvar a mãe
Para quem acredita em milagres, o que aconteceu na noite desta terça-feira, 28 de janeiro, no Estádio da Luz, é mais um. Nos últimos minutos do jogo frente ao Real Madrid, Anatoliy Trubin subiu à baliza contrária e marcou o 4-2 que permitiu aos encarnados passar à próxima fase da Liga dos Campeões.
O dono da baliza das águias tornou-se num herói improvável e a verdade é que a sua história de vida não é nada fácil. Natural da aldeia de Spartak, a escassos quilómetros de Donetsk, na Ucrânia cedo percebeu que teria de lutar muito para concretizar os seus sonhos. Foi a mãe quem lhe deu a mão para começar a jogar futebol. Nessa época, era "gordinho", como chegou a assumir numa entrevista e, por isso, foi colocado a guarda-redes. Começou a criar gosto por aquela posição e nunca mais largou as balizas. Estava destinado ao sucesso.
Começou no Azovstal e rapidamente foi levado para o Shakhtar, concretizando uma das suas maiores ambições. Aliás, ir à Liga dos Campeões estava no top dos seus sonhos. Só que, embora tenha feito toda a formação no clube de Donestk, nunca chegou a treinar na academia do clube. O motivo? A invasão russa de 2014.
"A academia do Shakhtar foi transferida para Schastlyvo e, perto de Kiev, e eu tive de ir também. O mais lamentável é que sou de Donetsk, estou no Shakhtar desde os seis anos e nunca estive no Kischa Training Center. A minha idade de treinar lá haveria de chegar, mas a guerra começou já não treinei", confidenciou.
Tinha então 13 anos e viu-se perante um dos maiores dilemas da sua vida: foi obrigado a separar-se da mãe, uma vez que esta teve dificuldades em sair da cidade.
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Aliás, foi precisamente quando Trubin se tornou profissional, quase a atingir a maioridade, que conseguiu trazer a progenitora para perto de si. Estávamos em dezembro de 2020 e também a irmã foi viver com ele na capital ucraniana. No Shaktar trabalhou com vários treinadores portugueses, entre os quais Paulo Fonseca e Luís Castro. Na segunda época de Castro, o guarda-redes, então com 19 anos de idade, tornou-se titular indiscutível da equipa e estreou-se, precisamente, frente ao Real Madrid na liga milionária.
Em 2023 saiu da Ucrânia, numa altura em que o país já estava novamente em guerra, para reforçar o Benfica e, desde então é o dono da baliza das águias.