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Catarina Furtado
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Estrelas Catarina Furtado aponta o dedo a declarações polémicas de Cristina Ferreira e fala em "impacto nocivo" de afirmações deste cariz

19 de Abril de 2026 às 18:01
Apresentadora da RTP1 juntou-se ao lote de críticos da deixa da colega de profissão da TVI
seguir:
catarina furtado
cristina ferreira
Polémica

Catarina Furtado reagiu, neste domingo, 19 de abril, à polémica que envolveu Cristina Ferreira e as declarações sobre o caso da violação de uma jovem menor de idade.

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"Partilho hoje a minha opinião, dias depois da polémica, por sentir que não devia reagir a quente a algo que me provoca reações muito acesas. Faço-o, criticando fortemente todo o tipo de insultos gratuitos que se soltam em momentos destes, possibilitados pelo alcance das redes sociais e por uma necessidade estranha e cobarde de quem se quer 'vingar' do mundo dizendo apenas mal. (...) Faço-o, sem nenhuma ponta de ódio, mas por vários motivos", começou por escrever a apresentadora.

"A frase que motivou a indignação coletiva e milhares de queixas na ERC, foi dita por uma colega que tem a mesma profissão que eu, Cristina Ferreira. Embora com estilos, posturas escolhas profissionais distintas, partilhamos a responsabilidade de ter um microfone aberto para milhões de pessoas", acrescentou.

"E eu sei o que é ter muita exposição (para o bom e para o mau), mas também sei o que para mim representa essa responsabilidade, que implica uma gestão entre o conteúdo do que estamos a apresentar e uma dose inequívoca de bagagem pessoal que cada comunicador traz: o seu pensar", agregou Catarina Furtado.

Ainda assim, ressalva: "Errar em direto acontece, já errei muitas vezes. Pedir desculpa e tentar fazer melhor é sempre uma opção, para a pessoa, para a estação. Mas o que considero importante sublinhar é que o que foi dito (e outras frases do mesmo género em situações diferentes ao longo dos anos) veio de um lugar onde não existe de facto a noção do impacto absolutamente nocivo que pode ter a formulação de uma pergunta."

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De seguida, sublinha: "Não é intencional, é estrutural. Há uma postura machista que é abraçada por muitas mulheres, que se dizem não feministas, e é de facto grave quando esse discurso é normalizado, porque isso contribui e muito para a banalização do crime, da violência, da desigualdade de género, e em última instância, da misoginia que grassa na chamada manosfera (machosfera)."

"É preciso ter consciência, empatia e curiosidade, quando se fala sobre a vida dos outros, não deixar que o discurso dos reality shows (que já contribuem também e tanto, infelizmente, para a normalizçaão de comportamentos tóxicos e de manipulação) contamine tudo, alimentando convicções distorcidas do que significa consentimento e empoderamento feminino", frisou a estrela da RTP1.

Ainda pelo meio, refere: "Tenho um filho e uma filha já maiores de idade. Ponho as minhas mãos no fogo como o meu filho nunca será um agressor porque eu, o pai e o resto da família sempre o educámos como feminista, com tudo o que isso implica de valores. Mas, em relação à minha filha, tenho muito medo de que alguma vez, e não por 'descuido' dela possa vir a ser uma vítima."

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No final do texto, Catarina Furtado deixa claro: "Gostava muito que esta minha reflexão (...) não fosse erradamente, de forma simplista, irresponsável e inconsequente interpretada como um ataque pessoal a uma colega de profissão, porque, honestamente, não é mesmo."

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