Estrelas Filha de Delfina Cruz morreu asfixiada e o corpo esteve escondido durante sete dias: os detalhes assustadores do homicídio de Maria Custódia Amaral
Passaram-se sete meses desde que a morte de Maria Custódia Amaral, de 54 anos de idade, chocou o País. A filha da malograda atriz Delfina Cruz foi brutalmente assassinada e surgem agora novos detalhes sobre este trágico crime.
De acordo com o processo de acusação, citado pela agência Lusa, tudo começou no dia 16 de janeiro deste ano, três dias antes de o desaparecimento da agente imobiliária ter sido tornado público. Segundo a investigação, o arguido contactou a vítima para que esta o ajudasse a concluir a venda da sua casa e se encontrassem para lhe entregar a cópia da escritura da habitação. Maria Custódia Amaral aceitou ir ao seu encontro, longe de imaginar o que viria a acontecer.
A acusação acredita que o homicida já tinha um plano elaborado previamente, por "motivos desconhecidos" e os contornos do caso são assustadores. Atraiu-a para uma divisão desocupada da casa, amarrou-lhe os braços para conseguir despi-la "na totalidade", seguindo-se uma série de agressões. Numa descrição arrebatadora, os investigadores concluíram que a filha de Delfina Cruz morreu asfixiada depois de o homem, com quem tivera, segundo foi revelado à época, uma relação amorosa, "enrolou película aderente em volta da [sua] cabeça." O arguido "permaneceu indiferente" ao sofrimento da vítima "e deixou-a morrer."
Com a mulher já morta, enrolou o corpo e as suas roupas em sacos de plástico e escondeu-o na arrecadação. Ficou com o telemóvel e o computador da agente imobiliária e seguiu viagem no carro dela, acabando por atirar o telemóvel "para o lago" do Parque D. Carlos I, nas Caldas da Rainha, para além de ter deixado "o computador dentro de um caixote do lixo."
Seguiu depois para Peniche, onde abandonou a viatura e apanhou um táxi para casa. Foi aqui que foi apanhado por câmaras de videovigilância e acabou por ser localizado pelas autoridades. Mas isso só aconteceu vários dias depois de a polícia ter tomado conta do caso, como foi divulgado em janeiro.
Nos três dias que se seguiram aquele crime, o arguido manteve o corpo da filha de Delfina Cruz onde o tinha guardado e procurou disfarçar qualquer suspeita, limpando vestígios e fazendo ainda questão de enviar uma mensagem para o telemóvel da agente imobiliária a perguntar-lhe se "estava tudo bem."
Foi na noite de 23 de janeiro, sete dias depois de ter cometido o crime, que se desfez do corpo. À época, as autoridades já estavam a tomar conta do caso e com receio do que viesse a acontecer, o suspeito enrolou o corpo em cobertores, colocou-o na bagageira do carro e levou-o para a Lagoa de Óbidos, onde o enterrou. Viria a ser tramado pelas buscas da Polícia Judiciária à sua residência, onde foram encontrados vestígios do crime, como cartões bancários da vítima, a chave do carro ou a roupa que esta usava antes de desaparecer.
As autoridades só encontraram o corpo de Maria Custódia Amaral na tarde de 31 de janeiro, mais de duas semanas depois da morte e uma semana após ter sido enterrado. O suspeito viria a ser detido nesse mesmo dia e está a aguardar julgamento em prisão preventiva desde 2 de fevereiro, quando foi presente ao juiz de Instrução Criminal para primeiro interrogatório judicial.