Estrelas Os dias duros de Ana Arrebentinha quando a mãe desistiu de viver e que coincidiram com o fim do seu namoro no meio do luto
Dizem que é a “lei natural da vida”, mas nem todos estão preparados para a enfrentar. Ana Arrebentinha não foi exceção. Durante dois anos, e algum tempo depois de sofrer com a morte do pai, vítima de um AVC fulminante, a humorista tentou ajudar a mãe a lidar com uma doença incurável e a dar-lhe qualidade de vida. Porém, nessa altura, e ainda na ‘ressaca’ da morte do marido, Fátima desistiu de viver.
Esta é a forma que Ana Arrebentinha encontra para explicar o que aconteceu. “A minha mãe estava profundamente triste, sem brilho nos olhos. Passava os dias todos sentada a olhar para o nada”, lembra, em entrevista ao ‘Alta Definição’, da SIC. “É muito duro de se ver, não estava preparada para isto. Quando o meu pai morreu, metade dela foi. Quando apareceu a doença, a minha mãe desistiu de viver. Custava-me muito ouvir, puxei uma carroça que não era a minha. Estava sempre nisto ‘bora, bora’. Mas a minha mãe não queria. É muito violento assistir a alguém que já não quer viver”, acrescenta.
Durante dois anos, Ana Arrebentinha tentou proporcionar dias felizes à mãe. Nunca a largou e acompanhou-a em todos os tratamentos. Hoje, não tem dúvidas de que esta foi a fase “mais dura” da sua existência. “Ainda a estou a gerir. Na altura em que a minha mãe começou a sentir que estava doente, nunca pensei que fosse esta dimensão toda”, recorda. Em pouco tempo, o diagnóstico chegou: uma doença rara. “Quando a fui buscar ao hospital, pensava que ia trazer a minha mãe completamente normal. Mas não, trouxe uma pessoa que precisava de todos os cuidados”, confidencia, emocionada.
Ainda assim, por um período, Fátima foi dando sinais de melhoria. Regressou à sua casa na Amareleja, mas ia escondendo da filha o deteriorar da sua condição. “Houve coisas que não me contou. A frase que ela dizia mais vezes era 'não contem à Cristina [nome pelo qual a mãe a tratava]'”, lembra.
Ainda hoje, Ana Arrebentinha recorda como foi a dura despedida. Tudo aconteceu depois de Fátima se sentir mal e ser transportada para o hospital. A humorista estava em Lisboa e mal foi avisada, correu para a unidade de saúde em Beja. “Foi a última vez que vi a minha mãe viva. Estava sentada e perguntou-me ‘O que estás aqui a fazer?’ Ela estava sentada, a suar muito”, adianta. Nessa altura, os médicos desconfiavam de que teria uma pancreatite. A filha pesquisou logo o que seria e apercebeu-se de que seria o seu fim. Mas quis ver Fátima uma última vez. “Fui despedir-me dela de manhã, a enfermeira perguntou-me se queria ir vê-la. E fui. Tenho a sensação de que ela estava a ouvir, agarrei-lhe na mão e disse-lhe ‘descansa’, porque sei que era o que ela queria”, afiança.
"Decidi na altura viver o luto e não viver mais nada, porque se aquilo aconteceu na minha vida, por alguma coisa foi. Foi para retirar o menos bom da minha vida. Foquei-me naquilo com que tinha de me preocupar"
A mãe ainda foi operada à vesícula à noite, mas na madrugada seguinte, recebeu o telefonema do hospital e percebeu que a mãe tinha morrido. Seguiu-se depois um período de luto muito difícil e que coincidiu com o fim do namoro que Ana Arrebentinha tinha à época. “Esse ano foi muito difícil para mim, porque enfrentei muitas coisas. Estava a viver uma dor, depois tive que voltar para a minha casa, tive que me separar na altura e viver uma vida nova com tudo isto. E fazer espetáculos ao mesmo tempo, a sofrer muito com isto”, lamentou, nunca-se esquivando a qualquer compromisso. Aliás, duas semanas depois da morte da mãe estreou um dos seus espetáculos e hoje não tem dúvidas de que tudo isso a salvou.
Ainda assim, não esconde que “houve pessoas que me deixaram só, que não foram honestas comigo” e que a apunhalaram “pelas costas” nesse período. “Decidi na altura viver o luto e não viver mais nada, porque se aquilo aconteceu na minha vida, por alguma coisa foi. Foi para retirar o menos bom da minha vida. Foquei-me naquilo com que tinha de me preocupar”, descreve. Mas os dias de tristeza profunda continuaram e ainda hoje existem, por vezes. Mas Ana Arrebentinha encontrou na terapia e no desporto um escape para voltar a sorrir.
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