Estrelas Inferno sem fim: Sá Pinto volta a viver momentos de tensão no Irão e foi obrigado a refugiar-se na embaixada portuguesa antes do seu encerramento

15 de Janeiro de 2026 às 11:55
"Gostava de não presenciar uma guerra nesta altura novamente", lamenta o treinador do Esteghlal, de Teerão, que teme pela sua segurança e dos seus colegas

Ricardo Sá Pinto está no Irão desde o verão de 2025, altura em que o país se encontrava envolvido num conflito que também abrangia Israel e os Estados Unidos, e em que assinou pelo Esteghlal, de Teerão, onde já havia estado previamente. Na altura, afirmou que lhe haviam sido asseguradas as condições de segurança e que foi por isso que aceitou voltar: "Não foi fácil voltar, mas, graças à direção, acabou por acontecer. Os adeptos mostraram um apoio e lealdade incrível."

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Agora, a tensão que se espalha pelo território, fruto do conflito armado que surgiu a partir da insurgência interna contra o regime vigente e da ameaça de uma intervenção norte-americana que atualmente paira sobre o país. Nesta quarta-feira, o treinador refugiou-se na embaixada portuguesa na capital iraniana e fez declarações nas redes sociais a dar conta da sua situação: "Na embaixada de Portugal, tudo aparentemente calmo, com pessoas na rua e carros a circular. Tive que me deslocar aqui, porque não tenho tido Internet, não tenho tido rede no telefone, estou incomunicável."

"É claro que estamos apreensivos para perceber o que se está a passar ou o que se poderá passar, mas estamos em segurança e com planos de emergência bem delineados e preparados", declarou o técnico português, acrescentando: "Gostava de não presenciar uma guerra nesta altura novamente, porque já cá estava logo no início. Depois, acalmou, mas agora está na iminência de [voltar]."

Todavia, Sá Pinto mostra-se preocupado com os profissionais ligados ao clube, desde o plantel à equipa técnica: "Tenho responsabilidades sobre profissionais, sobre a minha equipa, houve jogadores que tiveram de sair, que não estavam confortáveis, elementos da minha equipa técnica também. Mas houve jogadores iranianos que não conseguem sair daqui e que não podem deixar as famílias."

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"Não interromperam os jogos", disse o antigo treinador do Sporting, agregando: "Senti-me na obrigação de continuar aqui, continuar a dar os treinos à minha equipa e perceber se há condições. Nesta altura, para mim é difícil abandonar. Espero que tudo se possa resolver pelo melhor. É o meu desejo."

Entretanto, nesta quinta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou que a embaixada portuguesa em Teerão foi encerrada, sublinhando que "todos os portugueses naquele país foram contactados". Numa nota enviada às redações, o MNE referiu ainda que oito cidadãos portugueses já saíram do Irão, com um número indeterminado "em processo de saída" e dez das pessoas com nacionalidade portuguesa, sete delas com dupla nacionalidade iraniana, mostrando intenções de permanecer.

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