Estrelas "Não é um sítio decente para ter um AVC". Nuno Markl estava sentado na sanita quando se sentiu mal: o relato de tudo o que aconteceu e de como teve que "deixar cair a dignidade"
Depois de dias de angustia após ter sofrido um AVC, Nuno Markl, de 52 anos de idade, voltou à rádio para um episódio especial de 'O Homem Que Mordeu o Cão'.
E foi pela sua própria voz que os ouvintes e os fãs souberam o que realmente aconteceu na tarde de quinta-feira, dia 20, sem que nada o fizesse esperar. "Isto foi uma grande aventura, tenho muita coisa para contar e quero agradecer, mais uma vez, ao meu filho. Se não fosse ele, eu também não estaria aqui. Foi um orgulho aquilo que ele fez", começou por agradecer ao filho, Pedro, de 16 anos de idade, com quem estava sozinho em casa, tal como a TV Guia revelou na edição que já está nas bancas.
E foi então que começou o seu relato. "Só para quem não sabe bem o que é um AVC, acho que pode acontecer de várias maneiras. No meu caso, foi a coisa mais deprimente porque eu estava a fazer cocó. Não é um sítio decente para se ter um AVC. Percebi que não me conseguia levantar da sanita e de forma penosa, com as calças meio para baixo, meio para cima, acabei por me arrastar para o chão da casa de banho e achei: 'se calhar tenho que chamar o meu filho'."
Ao perceber que não tinha outra solução, com dificuldade, conseguiu chamar o jovem. "Eu não o queria assustar de forma nenhuma e parecia um bêbedo a chamá-lo. Ele ao ver-me naqueles preparos, o sangue frio que manteve em toda a situação e a maneira como, apesar de lhe dizer 'calma, calma, isto pode ser uma coisa que se resolve', ele ligou para o 112 e dou por ele a explicar detalhadamente o que é que aconteceu. Se estou de cabeça para baixo, se preciso de uma almofada... depois chegaram os bombeiros e ele a explicar e os bombeiros a falar comigo."
Nuno Markl confessa que, numa primeira fase, tentou manter a postura, mas depois percebeu que tinha que se entregar a quem dele queria tratar. "Há um momento em que percebo que vou ter de deixar cair alguma coisa, como a dignidade. Há um momento em que o bombeiro diz para a colega: 'ok, temos incontinência'. E eu a tentar explicar: 'calma calma, eu estava sentado na sanita, não sou incontinente'. Mas há uma altura em que percebemos que temos que deixar ir, somos humanos."
Agora no Hospital Egas Moniz a recuperar a olhos vivos, desabafa em tom de agradecimento. "Já não sei a quantidade de pessoas que me viram nu, desde enfermeiros, auxiliares e tudo isso são coisas que temos que deixar cair, ser humildes, humanos, tudo isto está a ser uma recolha de histórias trangicômicas, devo dizer-vos."
Apesar de todo o susto há algo que não esquece: "Quando ia a sair de casa para a ambulância e só oiço o bombeiro dizer: "calma, calma... é só uma dor de dentes". Os enfermeiros têm sido incríveis, são fãs do nosso programa."
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