Casados à Primeira Vista Atirou garrafa ao pai para não esganar a mãe e viveu em casa sem água corrente: o passado de violência e pobreza de Verónica do Casados à Primeira Vista
Verónica Eusébio tem sido um dos destaques da atual edição do 'Casados à Primeira Vista' pela sua personalidade vibrante e divertida. Contudo, a instrutora de condução esconde uma infância pautada por dificuldades extremas que acabaram por fazer com que tivessse de desenvolver uma maturidade extraordinária de forma precoce.
"A minha gravidez não foi desejada, aquilo que ouvia a minha mãe dizer da minha gravidez é que só achava que ia morrer e não achou que estava grávida, achou que era uma doença. (...) A única altura em que a minha mãe me dava carinho era no meu aniversário em que me dava dois beijinhos e me dizia 'parabéns, menina'", começou por contextualizar, durante a sua presença no programa 'Júlia', referindo depois o alcoolismo do progenitor: "Vivíamos de muitas necessidades, a minha mãe tinha de esconder a carteira, porque ele gastava o dinheiro do ordenado, vivenciei a minha mãe a ir ter com o patrão receber o ordenado do meu pai, porque se ela não recebesse ele ia gastar tudo no café, pagava cervejas a toda a gente, chegava alcoolizado constantemente."
"Passámos por muita violência doméstica. As memórias que tenho da minha infância é que a minha mãe me mandava para casa dos vizinhos, porque já sabia que ia haver porrada em casa e se não me mandasse a tempo quando ele chegava e lhe começava a bater, eu corria para casa dos vizinhos", relembrou, acrescentando: "Quando fui para a escola, comecei a perceber que as minhas colegas eram mais felizes do que eu, tinham um pai e uma mãe que as levava à escola, que os ia buscar, em casa só me diziam que tinha de estudar porque estava a fazer a minha obrigação. Se não atingisse as expetativas, era logo uma chapada."
"Consigo olhar para trás e ver que aquela Verónica era muito triste. Ela só queria ser aceite, porque não era aceite dentro de minha casa, tinha amor na casa dos meus avós, onde passei a minha infância e fui realmente feliz", diz. "Eu era posta de parte, porque toda a gente na aldeia sabia que passávamos aquelas dificuldades, que aquela família era a família da porrada, que a minha mãe ia para os cafés levar o meu pai para casa. Toda a gente sabia. E usavam isso contra mim, as crianças são más. Fui sempre marginalizada pelos meus colegas de escola, que queria que gostassem de mim", lamenta.
Houve um dia em que apanhou o pai a estrangular a mãe ao ponto de ver a vida da progenitora a esvair-se. Aí, encheu-se de coragem e acabou por intervir: "Nesse dia foi demais, a minha mãe estava a desfalecer, ele estava a estrangulá-la em cima da minha cama e tive de reagir. Fui buscar uma garrafa de cerveja de litro e meio e dei-lhe com ela na cabeça, fiquei com o gargalo na mão partido. Naquele momento, consigo perceber que não temos noção do extremo a que vamos. Se ele desse um passo para a frente, podia ter feito algo de que me arrependesse hoje, podia tê-lo ferido mesmo."
"É nessa altura que consigo expulsá-lo de casa, eu tinha 12 anos. A partir daí, eu tive de ser a adulta ali. Tive de dar apoio à minha mãe. A minha mãe saía à meia-noite de casa, porque ela fazia o turno ali perto, tinha de acordar às 23:50 para ir com a minha mãe ao trabalho e voltava para casa sozinha, para a proteger. Ela tinha medo de ser agredida por ele", agregou, explicando que o pai perseguiu a sua mãe ao longo dos tempos, enquanto iam trocando de residência.
Por fim, relatou as parcas condições que tinha nestas moradias: "Na primeira casa onde vivemos até mudarmos para a outra em que consigo meter o meu pai fora, não tínhamos sequer casa de banho, tínhamos três divisões. Não havia sequer água corrente, tínhamos água num regador, que íamos buscar um tanque público. (...) Tomava banho uma vez por semana, aquecíamos a água no fogão. Havia fome."