Estrelas Como César Peixoto deu a volta aos insucessos e se tornou numa das sensações do futebol português: companheiro de Diana Chaves até foi despedido por telefone antes de campanha invejável no Gil Vicente
César Peixoto está a atravessar o melhor momento da sua carreira de treinador: o "seu" Gil Vicente está em 5.º lugar, numa batalha contra o Sp. Braga, que derrotou por duas vezes, pelo 4.º, uma posição em que o clube de Barcelos nunca acabou na sua história.
A caminhada rumo ao sucesso para o companheiro de Diana Chaves não foi fácil. Apesar dos créditos que tinha da sua carreira como futebolista e de ter tido como treinadores nomes como José Mourinho ou Jorge Jesus, o antigo jogador de Belenenses, FC Porto, Benfica e Sp. Braga não começou por cima, como outros ex-internacionais e deu os primeiros passos no Varzim, da II Liga.
Nos poveiros, fez nove jogos, nos quais demonstrou já talento para a arte do treino, antes de procurar novos caminhos. Neste domingo, o então presidente do Varzim, Pedro Faria, revelou ao 'Record' o que o levou a apostar em Peixoto. "Como o César nunca tinha treinado, perguntei-lhe que conhecimento tinha da equipa do Varzim. Estávamos a passar por um momento delicado e eu não quis arriscar. (...) Ao dar-me essa avaliação, verifiquei que coincidia com aquela que era a minha (...). Nesse momento, decidi contratá-lo", disse.
Ambicioso, César Peixoto trocou a Póvoa pela também secundodivisionária Académica de Coimbra, mas os resultados demoraram a surgir e, após apenas duas vitórias em 10 jogos do campeonato, apresentou a demissão, alegando não ter condições para continuar no cargo. No mesmo escalão, assinaria pelo Desp. Chaves pouco tempo depois e não foi mais feliz, saindo na sequência de três triunfos em 12 jogos.
Apesar destes percalços, o antigo futebolista voltaria à ação em 2020, quando recebeu um convite do Moreirense, do principal escalão, para assumir a equipa ainda numa fase precoce do campeonato. De forma surpreendente, e após uma vitória, dois empates e duas derrotas, num espaço de dois meses, apresentou a demissão, com o adjunto dos cónegos a revelar que foi uma opção que ninguém esperava. "Nem eu nem os jogadores esperávamos esta decisão", declarou Leandro Mendes.
Em dezembro de 2021, regressou ao ativo, assinando pelo Paços de Ferreira, terminando a temporada no 11.º lugar. A prestação fez com que o seu contrato fosse renovado para a época seguinte, mas após nove jogos acabou por ser despedido, na sequência de uma eliminação na Taça. Contudo, regressaria mais tarde ainda durante essa edição da I Liga, não conseguindo evitar a despromoção dos 'castores' ao segundo escalão. Apesar de lhe ter sido proposta a manutenção no cargo, César Peixoto preferiu sair, argumentando, de acordo com o 'Record', que o rumo que o clube pacense estava a levar não se coadunava com as suas ambições.
Na temporada seguinte, voltou ao Moreirense, onde rubricou uma impressionante sequência de resultados, nos quais roubou pontos ao Benfica, eliminou o FC Porto da Taça de Portugal e venceu o Sporting do seu ex-colega de equipa João Pereira. Quando tudo parecia estar encaminhado para uma época de sucesso, regressaram os fantasmas do passado, e seguiram-se onze jogos com apenas uma vitória. Peixoto acabou despedido... por telefone.
Todavia, somente uma semana depois (!), o Gil Vicente anunciou a sua contratação, numa decisão que pode ter mudado de vez a carreira do companheiro de Diana Chaves. O final da temporada 2024/25 já deu sinais auspiciosos, mas foi na época seguinte que Peixoto levou o emblema de Barcelos a experienciar altos voos.
Logo em novembro, prestes a chegar aos 100 jogos na I Liga, reconheceu que este era o melhor momento da sua carreira como treinador. Nessa altura, revelou quais os ingredientes para este sucesso.
"Encontrei no Gil Vicente um clube estável, capaz, competente, com estrutura. Deram-me tempo e tranquilidade para trabalhar. Trabalhámos bem o mercado, enquadrámos características dos jogadores que trouxemos dentro do que é o ADN do clube. Facilita muito o nosso trabalho. Deram-nos as condições necessárias para que eu e a minha equipa técnica consigamos pôr em prática o que temos na cabeça para depois acontecer no jogo. É uma conjugação de muita coisa. Se calhar estou na melhor fase da minha carreira, mas isto não me deslumbra, sei que nos próximos dois ou três jogos, se não ganhar, isto que estamos a falar já não conta para nada e já não presto", disse, mantendo-se ciente da memória curta no mundo do futebol.
A verdade é que, apesar de ter perdido duas peças-chave no mercado de inverno, o Gil Vicente manteve-se sempre a um ritmo constante e continua na luta pelo quarto lugar contra o Sp. Braga, mantendo-se firme em posições europeias. Independentemente do que aconteça até ao final da temporada, a competência de Peixoto parece cada vez ser mais uma certeza e este poderá a partir de agora olhar com otimismo para os próximos anos da sua carreira.