1.ª Companhia Os sintomas, as idas às urgências e as operações: o que Joana d'Arc contou sobre a sua doença incapacitante antes de entrar na 1.ª Companhia
Na gala deste domingo da '1.ª Companhia', foi enaltecido pelos colegas o esforço de Joana D'Arc em cumprir as tarefas pedidas apesar de sofrer de uma doença incapacitante, artrite reumatoide, um dos argumentos que até estiveram na génese da sua escolha enquanto a melhor camarada.
Noélia Pereira foi uma das vozes elogiosas para a colega: "A Joana é um exemplo para muita gente aqui. Ela tem limitações, não se queixa e faz. Outros não têm limitações nenhumas e queixam-se. É um exemplo para todos." Também Soraia Carrega subscreveu: "Desde início cliquei logo com a Joana. Nós de início não tínhamos noção destes problemas. Tivemos de ser nós a chamar as enfermeiras para ela. É de uma força que espero um dia vir a ter." Sara Santos adicionou: "Ela aqui não se queixa. Ela levanta-se todos os dia à mesma hora que nós e é um grande exemplo para todos, não só para nós."
Em 2024, a cantora revelou, no programa 'Goucha', como surgiu o diagnóstico: "Com 16 anos comecei com os primeiros sintomas. Ia para a escola normalmente, lembro-me que era Dia dos Namorados, acordei, coloquei os pés no chão e tombei. Os tornozelos estavam tão inchados que caí para a frente. A partir daí, foi uma panóplia de idas às urgências, raios-X, porque os episódios começaram a ser muito frequentes. Demorou cerca de um ano para chegar ao diagnóstico."
No vídeo que antecedeu a entrevista, Joana d'Arc relatou: "Não tive noção, desvalorizei, pensei: 'vou tomar os comprimidos e vai ficar tudo bem'. Só que isso não aconteceu. Senti-me frustrada. Tive uma conversa com o meu médico e ele disse-me que podia fazer tudo na vida, mas tinha de aceitar a doença, e isso aconteceu. É uma doença muito complicada, há muita dor, porque as articulações estão sempre inflamadas. Sou acompanhada, faço medicação diária."
A doença obrigou ainda a várias intervenções: "Tenho prótese na anca, nos dedos das mãos, tenho uma artrodese [procedimento ortopédico para fundir articulações] tripla no pé direito, ou seja, ele não tem praticamente mobilidade alguma. A doença nunca me impediu de fazer nada, enquanto cantora, mulher ou pessoa. O palco é o único sítio onde não tenho dores: salto, canto e danço, lá sou uma mulher saudável." Depois adicionou: "Passado cerca de um ano e meio depois de ter sido diagnosticada, estava a colocar a minha primeira prótese na anca."
Perante Manuel Luís Goucha, Joana d'Arc confessou: "Quando estou no palco, esqueço-me das dores. Mas as dores existem, não vou ser hipócrita. Quem tem artrite reumatoide tem sempre dores." Um exemplo paradigmático desta lealdade da cantora ao palco foi quando, após ter sido operada num domingo à anca, ter na quinta-feira seguinte atuado numa festa em Esposende, também para proteger os trabalhadores envolvidos na organização, como explicou.