Casados à Primeira Vista Quinita perdeu o marido em acidente e foi salva pela irmã após tempos difíceis: como a noiva do Casados à Primeira Vista ultrapassou o maior trauma da sua vida
Quinita, participante do 'Casados à Primeira Vista', passou, há 23 anos, pela dor da morte abrupta do seu marido, Zé, num acidente de mota, quando o casal tinha duas filhas menores de idade.
"Foi um bom casamento até um certo tempo. Depois, a coisa desmoronou-se um bocadinho por causa da bebida. Mais uma vez, a Quinita a sofrer", começou por dizer, no programa 'Júlia', acrescentando: "Ele era um bon vivant, parecia que estava a adivinhar o que lhe ia acontecer porque queria viver tudo num só dia. Ele era motard, tinha fascínio pela motas, e essa vivência dele constante de concentrações, de amigos para aqui e para ali, era ausência em casa."
De seguida, a noiva de Carlos descreveu esse dia fatídico: "Saiu de casa de manhã, normal, ia combinar com os amigos a hora da saída para a concentração. Despistou-se numa curva e foi bater num sinal. Não partiu nada, só fez um golpe na cara, mas foi fatal porque cortou a aorta, no sinal bateu, morreu logo lá no sítio, esvaiu-se em sangue."
"Fico viúva aos 39 anos, com uma filha com 14, outra com seis, e sem apoio nenhum. Tive muita dificuldade em aceitar, fui mais abaixo porque, como o médico explicou à minha irmã, na altura, quando a amiga cujo marido também era motard foi lá a casa à noite, e disse-me assim, muito leve: 'Quinita, só te venho dizer que o Zé caiu da mota'. Por estas palavras", relatou Quinita.
"Entrei logo: 'Filho da mãe, quando chegar ao pé dele...' A negação total. Eu digo que ele não tem juízo, nem tato, 'já pai de duas filhas e ainda nesta maluqueira'. Cheguei ao hospital, um mar de motas, não sei de onde apareceu tanta mota. Eu ia tão louca de o descompor... e quando lá chego, os médicos chamaram-me lá dentro a uma casinha com duas médicas", acrescentou.
Quinita recorda: "Elas primeiro deram-me qualquer coisa para beber, devia ser um calmante qualquer, começaram por me perguntar a idade, se tinha filhos, para fazer tempo a ver se fazer efeito o que me tinham dado. Até que me disseram: 'Minha linda, temos uma notícia muito triste para te dar. O teu marido, quando entrou, já vinha morto.' Conforme me dizem aquilo, desmaiei logo."
E aí, inicia-se um ciclo que custou muito a ultrapassar, nesta fase inicial da viuvez, pela qual teve de se apoiar na irmã, Bela, que também a inscreveria décadas mais tarde nesta experiência social da SIC. "Aí sim, a minha irmã foi o meu braço direito. Não sei se tinha conseguido ultrapassar tudo o que se estava a passar na minha vida. As filhas foram separadas, uma para um lado e outra para outro durante esse processo", disse.
"O médico dizia à minha irmã que ela não podia deixar-me levar a avante o que eu dizia, tinha de me dizer sempre que ele morreu. Nos bocadinhos em que eu estava consciente, a minha irmã deitava-se ao meu lado e eu dizia: 'Mana, sai daqui. Ele está a subir as escadas, olha se ele vê um vulto, ainda pensa que está aqui alguém deitado, ainda te faz mal.' Ela dizia: 'Mana, o Zé morreu'", relembra.
"Conforme ela me dizia isso, eu desmaiava, levava o tempo no hospital desmaiada. Já me conheciam. Diziam que era a moça coitada que o marido morreu de acidente. Até que um dia, entro no hospital nas mesmas circunstâncias e estava um médico estrangeiro. Esse médico disse que isto não podia ser tratado assim. 'Cada vez que ela cá vem, dão-lhe medicamentos para dormir, dorme e quando acorda está igual, não pode ser assim. Tem de ser outro tratamento.'", relata.
Por fim, Quinita conta como acabou por conseguir dar a volta por cima: "Ele receita uns medicamentos muito perigosos que tinham de ser tomados daquela maneira específica, era tudo escrito ao pormenor, para parar o cérebro. Fiquei de cama, não tinha noção do tempo. (...) Chegou um ponto em que a minha irmã também tinha a vida dela, estava a pagar casa, carro e tinha o filho pequenino. Quando me diz: 'Mana, tenho de me ir embora', eu comecei a voltar a mim. Fraca, frágil, mas consegui voltar. (...) Pensei que não podia levar a vida a chorar, porque as miúdas precisavam de mim e não têm culpa. Já ficaram sem pai, não podem ficar sem mãe."