Estrelas Sozinho no coração do conflito, Sá Pinto quebra o silêncio após ter decidido ficar no Irão apesar da recomendação do Ministério dos Negócios Estrangeiros
Ricardo Sá Pinto, treinador de futebol no Esteghlal, foi um dos dez cidadãos com passaporte português a decidir permanecer no Irão, não obstante o clima de tensão que se vive com as manifestações contra o regime vigente. Com as comunicações limitadas no país e já com a embaixada portuguesa encerrada, o técnico conseguiu enviar uma mensagem desde Teerão, na tarde desta quinta-feira, à RTP, para dar conta da situação atual.
"Tenho pontos de emergência para poder comunicar sempre que necessário. Amanhã [sexta-feira], vou ter internet também se tudo correr bem para poder comunicar quando estou no meu trabalho", relatou o antigo jogador e treinador do Sporting. O técnico de 53 anos referiu ainda: "As coisas estão calmas, está tudo tranquilo nesta altura, está tudo normal."
Já à Renascença, Sá Pinto descartou a possibilidade de abandonar para já o país: "Vou acompanhando, de certa forma, aqui e acolá as notícias, mesmo não tendo rede no meu telemóvel ou internet a toda a altura. Tenho aqui responsabilidades. As pessoas gostam de mim, pediram-me para ficar."
De seguida, sublinhou que pretende manter-se para ajudar os seus jogadores a atravessar esta situação delicada: "Vamos ter um jogo daqui a três dias. Sinto-me na obrigação de continuar. Há jogadores que querem treinar, que querem competir e que querem um bocadinho abstrair-se desta situação toda. E eu também sinto essa obrigação de dar essa parte."
Apesar de dizer que a população está a viver uma vida normal e que não sente um "ambiente de guerra", Sá Pinto afirma ter tomado precauções e já ter um plano para caso tenha mesmo de sair do Irão: "A qualquer altura algo pode acontecer e temos que estar preparados. Se o espaço aéreo for fechado, por via terrestre, enfim… estou minimamente preparado para me proteger."
Recorde-se que a equipa técnica de Sá Pinto no Esteghlal, onde estão três portugueses, já não está no Irão, assim como os jogadores estrangeiros, entre os quais Adán, ex-guarda-redes do Sporting. Também Ricardo Alves, futebolista da equipa iraniana Sepahan, saiu, acatando a recomendação do Ministério dos Negócios Estrangeiros.