Estrelas Afinal qual é o motivo para Sofia Ribeiro não entrar numa novela desde Senhora do Mar? As dificuldades que levaram a atriz a fazer uma pausa
Sofia Ribeiro decidiu pôr um travão na sua vida profissional em 2025, dois anos depois de ser ter tornado tutora legal das sobrinhas, que hoje têm 14 e 12 anos. Na sua participação no programa 'Júlia', nesta terça-feira, 10 de fevereiro, a atriz de 41 anos escrutinou estes últimos tempos, começando pelas arduidades impostas pelas amplíssimas responsabilidades inerentes a esta nova função.
"Há momentos em que pensamos: 'Meu Deus, será que vou ser capaz de tomar conta disto tudo?' Mas o que me move é mais forte do que isso tudo, é o amor que tenho por elas e a vontade que tenho de lhes dar o melhor que consiga, de lhes dar uma base sólida para poderem escolher o que querem ser e seguir uma vida apaziguada, é isso que procuro", referiu.
"Quero paz para elas e para mim, revejo-me muito nelas e na história delas, que não é muito diferente da minha. Por muito que muitas pessoas à volta me dissessem para pensar bem na decisão que estava a tomar porque a minha vida iria mudar completamente e porque não teria uma rede de apoio, como seria expectável", acrescentou.
De seguida, Sofia Ribeiro reconheceu: "De facto, a vida mudou, e totalmente diferente. Tinha uma liberdade e disponibilidade de fazer o que quisesse na minha vida e à hora que quisesse. Mas existem duas crianças adolescentes e de facto a minha vida tem de ser toda programada também de acordo com a vida delas. No início, perdi-me totalmente, não sabia quem era nem o que andava a fazer."
"Depois, a vida encarrega-se de nos dar ferramentas e de nos encaminhar para o que resulta para nós na nossa logística, porque não há uma fórmula ou um livro que nos ensine. (...) Desde o momento em que elas nasceram, sempre fui muito próxima na vida delas, passávamos férias regularmente, todos os meses ia buscá-las para passar tempo comigo, o que não é a mesma coisa, mas sempre tive em mim este lado de cuidadora", justificou a intérprete, atualmente em cena no teatro com a peça 'Dona Flor e Seus Dois Maridos'.
Questionada sobre se as crianças estão munidas de telemóvel, a intérprete respondeu negativamente e justificou a sua posição: "Não têm telemóvel, ainda não. É uma decisão difícil, acima de tudo pela envolvência, pelas pessoas que as rodeiam, as outras crianças e a decisão dos seus pais que não condeno, é a deles, mas não é a minha, mas acho que nem nós adultos estamos preparados para estar tanto tempo ligados como estamos. E a informação... abro uma rede social e há tanto drama e tanta coisa difícil que claro que vai interferir na minha energia, é difícil filtrar tudo, muito mais as crianças. Elas têm um tempo para ter o telemóvel, neste momento não têm, mas é uma negociação diária, que, no caso, explico-lhes porquê."
Depois, não se absteve de delinear como as dificuldades gargantuescas que advieram das condições em que cresceram, numa família a lidar com uma miríade de problemáticas, moldaram as suas personalidades: "Elas são crianças com uma bagagem muito além do que seria expectável até para um adulto. Naturalmente, testam muito os limites, põem em causa, têm um sem fim de características que são consequência das mazelas que têm. Não vamos aqui florear e dizer que é fácil lidar, porque não é, a vida deixa-nos marcas, mas eu sou uma mulher de fé neste lugar que estou a tentar criar, que é a nossa família e a nossa casa."
"Elas são crianças com uma bagagem muito além do que seria expectável"
Sobre o afastamento que adotou em relação aos trabalhos televisivos, assumindo que rejeitou vários convites para produções, Sofia Ribeiro explicou: "Coincidiu com inúmeros factores que vinham do ano anterior, do projeto que fiz ['Senhora do Mar'], que amei fazer, mas que foi extremamente exigente tentar gerir a vida com as crianças e situações familiares muito duras de gerir e houve um momento em que não estava a conseguir gerir tudo, estava emocionalmente muito frágil. Tive de dar um passo atrás porque não somos super-homens nem supermulheres."
"Recusei projetos porque havia muita coisa para arrumar e organizar na vida pessoal, que me estava a exigir muita energia e que não estava a conseguir chegar a tudo, a minha profissão é muito importante e é um fio condutor da minha vida e é como um farol para mim que me coloca no eixo, mas a vida ensinou-me que quando falha tudo não há trabalho nem dinheiro que nos salve. Foi importante parar e deixar o trabalho de parte", continuou a atriz.
Posteriormente, recuou até ao tempo mais delicado da sua vida, quando teve de lidar com um cancro da mama, para sustentar a opção que tomou: "Quando fiquei doente, estava há dez anos sem folgas nem férias e estava a engatar umas novelas nas outras, foi um sem fim de coisas, não tinha vida, não parava, mal dormia, mal comia, a vida pessoal estava virada do avesso e aprendi a ler os sinais, a perceber que às vezes é preciso dar um passo atrás para dar dois à frente."
"Quando fiquei doente, estava há dez anos sem folgas nem férias"
Por fim, realçou: "[Em 2025], não parei totalmente, fiz coisas em paralelo, também fui fazendo um trabalho que tenho vindo a tentar desenvolver: estive muito tempo praticamente só a fazer televisão, amo fazer televisão, mas sentia falta de fazer mais teatro, gostava poder fazer mais séries e cinema e este ano também veio com isso."
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