Estrelas Duas lendas de relações cortadas: o motivo da zanga entre Fernando Mamede e Carlos Lopes que durou meio século
Falecido nesta terça-feira, aos 74 anos, Fernando Mamede será para sempre um incontornável símbolo do desporto nacional. Apesar dos obstáculos psicológicos que o perseguiriam até ao final da vida, o fundista somava sucessos nas pistas, numa época de ouro do atletismo português, em que competia diretamente com outra figura que marcou o seu nome na eternidade: Carlos Lopes.
Colegas no Sporting, sob a batuta do lendário treinador Mário Moniz Pereira – em cujo funeral ambos marcaram presença – foram rivais diretos em inúmeras corridas, incluindo aquele 'meeting' em Estocolmo, em 1984, em que Mamede bateu o recorde mundial dos 10 mil metros, deixando em segundo lugar Carlos Lopes. Outro confronto estava agendado para os Jogos Olímpicos desse ano, em Los Angeles, em que Lopes conquistou uma medalha de ouro para Portugal (e um recorde olímpico que durou mais de duas décadas) numa prova em que Mamede desistiu.
A relação entre os dois não foi fácil a partir de palavras de Mamede que o colega não perdoou. Numa entrevista de vida, em 2007, à revista 'Sábado', Carlos Lopes relatou que os dois chegaram a ser amigos e contou o porquê deste desentendimento.
"Sim, treinávamos juntos todos os dias, até nos zangarmos, em 1976. Treinámos ainda durante muitos anos sem nos falarmos, até hoje. (...) Quando tive o grande problema da lesão e fui dado como perdido para o atletismo, ele numa ida à televisão deu a entender que eu já não tinha hipóteses nenhumas. 'Se a minha avó não morresse ainda hoje era viva', disse ele. Nunca mais lhe perdoei", afirmou o medalhado olímpico.
"'Se a minha avó não morresse ainda hoje era viva', disse ele. Nunca mais lhe perdoei"
Em 2017, à 'Tribuna Expresso', voltou a falar sobre o tema: "[Não ficámos amigos] por questões de mentalidade de um e de outro. Eu tenho uma maneira de estar na vida, ele tem a dele. Há momentos em que temos de decidir o que queremos para a nossa vida, se vale a pena ter amigos ou não. E houve um momento em que eu decidi que ele não era meu amigo e acabou ali." Questionado sobre se se haviam zangado, Carlos Lopes frisou: "Eu zanguei-me."
Um ano antes, Fernando Mamede corroborara esta relação inexistente entre ambos e apresentou uma teoria diferente, em declarações à mesma publicação: "Só vou dizer uma coisa que para mim é ponto assente e não interessa falar mais. Enquanto fiz 800m e 1500m nós éramos amigos, quando passei para os 5000 e 10.000m deixamos de ser amigos. Ponto final parágrafo." Na altura, foi inquirido sobre se este corte de relações subsistia e confirmou: "Houve períodos em que ainda falámos uma coisa ou outra, mas… eu nunca senti ódio. Da minha parte nunca."
"Enquanto fiz 800m e 1500m nós éramos amigos, quando passei para os 5000 e 10.000m deixamos de ser amigos. Ponto final parágrafo"
Ainda assim, o respeito entre ambos enquanto atletas, de forma mais ou menos expressa, subsistia. No Mundial dos 10.000m, quando Mamede venceu Carlos Lopes, os dois acabaram por dar a volta à pista de mãos dadas, e o recém-falecido fundista explicou o porquê, à 'Domingo', do 'Correio da Manhã'. "Dei a volta à pista com o Carlos Lopes porque quis que ele recebesse as palmas dos espectadores, já que fez um trabalho muito bom para eu bater o recorde do Mundo. Fomos adversários no bom sentido da palavra, mas nessa altura as nossas relações já não eram as melhores", constatou.
De forma análoga, quando Carlos Lopes, que chegou a assinalar que a qualidade de Mamede foi essencial para se superar e conseguir escrever as páginas douradas da história do atletismo, foi interrogado sobre quem eram para si os maiores atletas portugueses, não hesitou ao colocar o rival ao lado de Rosa Mota, Aurora Cunha, Fernanda Ribeiro e Nelson Évora.
Por fim, de assinalar que, pese esta aparentemente impossível de atingir harmonia entre Mamede e Carlos Lopes, não se coibiram de marcar presença em vários eventos em simultâneo: estiveram juntos na festa dos 20 anos de Atletismo dos irmãos Castro, em 1999, transportaram uma faixa no Mundial de Pista Coberta em 2001, na preparação da inauguração do Estádio José Alvalade, em 2003, e em homenagens ao professor Moniz Pereira, ao longo da década de 2000.
Também poderá gostar de
De estrela da SIC a instrutora de ioga: 22 anos após a trágica morte de Miklós Fehér, o que é feito da irmã Orsi?
Uma década depois dos rumores de romance como está a relação de Cristina Ferreira e Rodrigo Castelhano? Recruta conta tudo e deixa uma garantia
O segredo que Maria Amaral escondeu do próprio filho e que só foi descoberto após o seu desaparecimento
A Herança. Vingança: Pilar aponta uma arma a Vicente e obriga-o a devolver o dinheiro que roubou a Sofia
Últimas
Pode gostar de ler...
Mais Lidas