Estrelas Cláudio Ramos e Luísa Castel-Branco: a história de uma "lição de vida" com meio século e que superou as guerras entre a SIC e a TVI
Foi há 25 anos que os caminhos de Cláudio Ramos e Luísa Castel-Branco se cruzaram. Ela já era uma cara da televisão, ele um rapaz cheio de sonhos e com muita vontade de vingar. E o mais curioso é que, quando o conheceu, a escritora não gostou dele de imediato. “Quando o conheci não gostei dele. Não sabia sequer o que é que ele tinha feito, nem quem era”, recordou Luísa Castel-Branco numa partilha no Instagram.
Ainda hoje, o primeiro encontro está na memória do apresentador da TVI. “A nossa primeira conversa foi há 25 anos num encontro marcado para nos conhecermos porque íamos trabalhar juntos se ‘ela quisesse’. Lembro-me do perfume que usava. Até hoje não o mudou. Foi ela quem decidiu que seria eu o primeiro apresentador interativo numa ideia inovadora levada a cabo pelo Canal 21 onde as pessoas decidiam, através de um comando, que apresentador queriam ver. Numa sala estava a Luísa, na outra estava eu”, conta agora Cláudio Ramos na hora de se despedir daquela que se viria a tornar uma amiga e que decidiu deixar o 'Dois às 10' após quatro anos ligada do matutino do canal de Queluz de Baixo.
O mais curioso é que apesar deste choque inicial, com o passar do tempo, o comunicador deu uma das “maiores lições de vida” a Luísa Castel-Branco. “Vê-lo crescer enriqueceu o meu coração, saber-lhe as fraquezas, saber quem ele é, aconchegou-o no meu coração. É amigo verdadeiro, e por vezes consegue ser ingénuo como um menino a dar os primeiros passos”, garantiu a escritora na mesma partilha.
Com o passar dos anos, foram se cruzando, como aconteceu na SIC Caras nos inícios do ‘Passadeira Vermelha’. Um painel que ainda hoje é recordado com saudade. “Fizemos parte do painel mais divertido de sempre do ‘Passadeira Vermelha’, aquele que fez a história do programa. Eu, ela e a [Ana] Marques. Foram anos felizes”, adianta Cláudio Ramos.
"A Luísa foi sempre uma mulher bonita e elegante, o que nem sempre é fácil de conjugar. Há muitas bonitas, umas elegantes, mas há raras que juntem as duas numa e ainda tragam bagagem cultural e boa conversa. Isso então é raríssimo e a Luísa tinha. A Luísa tem"
Esta amizade perdurou para sempre e nem com a mudança do apresentador para a TVI se afastaram. Pelo contrário, quis o destino que se voltassem a cruzar, até porque também Luísa Castel-Branco viria a deixar o canal de Paço de Arcos. “Depois mudei para a TVI e ela entra como comentadora de reality e cultura pop. Foi sempre uma mais valia. Sempre!”, elogia o comunicador.
Agora, quatro anos depois de se juntarem no ‘Dois às 10’, a comentadora decidiu afastar-se dos ecrãs para cuidar da sua saúde e deixou o amigo muito emocionado. “A Luísa decidiu dizer um ‘até já’. Está frágil de saúde, tem problemas que nunca escondeu e prefere ter tempo para a sua recuperação, para os seus livros e para os seus netos, para o seu Francisco. Alguns, olharão para ela na memória recente e reconhecem a mulher que diz tudo sobre todos sem ter travão, mas já antes de se sentar a comentar social ou reality fez história quando se estreou como apresentadora perto dos 50 anos num programa que foi um enorme sucesso na altura. Chamava-se ‘Luísa’. Um espaço diário de conversas. Daí para a frente nunca mais parou”, recorda o parceiro de Cristina Ferreira.
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Mais do que um amigo, Cláudio Ramos é um fã assumido da colega. “[Ela] Fez de tudo e antes, quando o mundo ainda não falava de feminismo já ela explicava o que era e a mostrava como se fazia, quando o mundo achava que as mulheres bonitas eram pouco mais que isso mostrou que as mulheres podem ser o que quiserem para lá da imagem que os outros têm delas. Sim, porque a Luísa foi sempre uma mulher bonita e elegante, o que nem sempre é fácil de conjugar. Há muitas bonitas, umas elegantes, mas há raras que juntem as duas numa e ainda tragam bagagem cultural e boa conversa. Isso então é raríssimo e a Luísa tinha. A Luísa tem”, prossegue.
E, por fim, não deixa de a elogiar pela decisão que agora tomou. “É bonito e maduro quando alguém entende a hora de parar priorizando o seu bem estar, sem se deixar ofuscar pelo barulho das luzes. Custou-me, sei o bem que o programa lhe fazia, mas também sei que agora é o melhor para ela”, remata.