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Samu Aghehowa
Samu e a mãe, Edith
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Samu Aghehowa
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Samu Aghehowa
Foto: Tony Dias
Samu Aghehowa

Estrelas Nasceu em centro de refugiados e não tinha dinheiro para comer: a incrível história de Samu ao lado da mãe, que vai ser o grande apoio da estrela do FC Porto no momento mais difícil da sua carreira

11 de Fevereiro de 2026 às 13:16
Avançado dos dragões está lesionado gravemente e deverá falhar o Mundial, mas este percalço não é comparável ao início do percurso do goleador espanhol, cuja ascensão só foi possível pela mão da progenitora, Edith, que por ele fez tudo

A presente semana foi marcante pelos piores motivos para Samu, avançado espanhol do FC Porto. O goleador dos dragões, de 21 anos, sofreu uma rotura do ligamento cruzado anterior na disputa de uma bola durante o clássico com o Sporting e já sabe que, ao que tudo indica, não irá jogar mais esta temporada e vai mesmo perder o Mundial, em julho.

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"Ontem foi o dia mais azarado da minha carreira. Sofri uma lesão grave. Ainda não acredito. Estou devastado, sem palavras. (...) Confiar no plano de Deus, ser forte e positivo é o que me vai fazer voltar mais forte do que nunca", escreveu, nas suas redes sociais.

Ao seu lado, nesta altura complicada, terá certamente o apoio da mulher de sempre, que permitiu que conseguisse singrar no futebol depois de uma infância muito complicada, a mãe, Edith Aghehowa, que fez uma verdadeira odisseia para garantir a melhor vida possível ao filho.

Quando estava grávida, saiu da Nigéria e viajou até Melilha, território norte-africano que pertence a Espanha, onde nasceu. Lá, ficaram num centro de refugiados durante dois anos, até que conseguiram ir para Sevilha, onde Samu cresceu, após a progenitora ter conseguido um visto de trabalho. 
Na Andaluzia – onde nasceria a irmã de Samu, Precious – Edith precisou de trabalhar numa miríade de diferentes empregos para sustentar o filho. "Às vezes, não havia dinheiro para pagar a renda, entendes ou não? Havia dias em que só me apetecia largar tudo e fugir", contou, ao 'Mais Futebol'.

À Radio ABC, em março do ano passado, contou que desde cedo tinha apreço pelo futebol, explicando como foi o início do seu percurso. "A minha mãe tinha de trabalhar para cuidar de mim e da minha irmã e, graças a Deus, que tivemos uma vizinha que considero a minha segunda mãe, e o seu marido, que descanse em paz, foi ele que me inscreveu na primeira equipa de futebol onde joguei", declarou.

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Na mesma entrevista, relatou que a mãe o levava para os treinos no Sevilha, numa viagem que demorava uma hora e meia. Ainda assim, por vezes, escasseavam os recursos para uma vida confortável. "Houve situações em que não havia nada para comer e isso foi difícil. Não acho que nenhuma criança deva passar por isso. Foi complicado. Pensa-se em muitas coisas nessas alturas, como o porquê de estar a acontecer comigo e connosco", relatou, antes de concluir: "Graças a Deus conseguimos sair dessa situação."

Foi toda a gratidão por a mãe o ter ajudado nesta caminhada que o levou, em 2024, a mudar o seu nome futebolístico, trocando Omorodion, o apelido do pai, de quem pouco se sabe, por Aghehowa, o da mãe. 

Mas não foi a única forma de devolver todo esse cuidado da progenitora. Quando foi questionado pelo 'El Mundo' sobre o que fez com o primeiro salário desportivo, desvendou: "Comprei uma casa à minha mãe para que possa desfrutar, juntamente com a minha irmã, da vida que merece. Estou muito orgulhoso dela, tudo o que faça por ela fica curto em comparação com o que fez por mim." Inclusive, na mesma entrevista, exibiu o seu gáudio por ter cumprido o seu desejo, de que a mãe já não precisasse de trabalhar.

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No que toca à sua carreira, após uma passagem pelo Granada, a sua porta de entrada no futebol sénior, Samu assinou pelo Atlético de Madrid, onde não conseguiu jogar, tendo sido emprestado ao Alavés. Os oito golos que marcou pelo emblema basco na primeira época na La Liga chamaram a atenção de vários clubes. Inicialmente, esteve ligado ao Chelsea, mas acabou por se sentir tentado por uma oferta relâmpago do FC Porto, tendo sido anunciado de forma surpreendente.

A 18 de novembro de 2024 estreou-se pela seleção espanhola, naquele que considerou o "dia mais feliz" da sua vida. A primeira convocatória foi um momento que também nunca sairá da memória da mãe. "Antes de lhe telefonar, já lhe tinham contado e começou a chorar, estou muito feliz por ela", relatou Samu ao site da Real Federação Espanhola de Futebol.

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