Estrelas Afastado da TVI e focado em outro projeto, Ruben Rua não poupa nas críticas a quem 'manda' na televisão portuguesa
Ruben Rua não está no leque de apresentadores que estarão nas comemorações de aniversário de TVI deste ano, numa situação oposta àquela que aconteceu no ano passado, em que esteve na emissão especial, que acontecerá nesta sexta-feira, 20 de fevereiro, não estando também na gala do próximo sábado, 21 de fevereiro.
O comunicador tem estado há muito afastado da estação de Queluz de Baixo, desde que a dupla que fazia com Maria Cerqueira Gomes no 'Em Família' foi preterida em prol da entrada do duo Mónica Jardim e Idevor Mendonça, que subsiste até hoje.
É uma ausência que também surge depois da avaliação feita por Ruben Rua, no podcast 'Promenade Presents', à atualidade das televisões, com críticas ao pensamento que a seu ver é demasiado focado nos resultados do presente ao invés da aposta na subsistência no futuro, não havendo, sublinhe-se, alguma correlação notória entre as duas situações.
Recordemos as palavras do apresentador. "Acho que a televisão tem um problema de timing, ou seja, as pessoas trabalham para a audiência de hoje que sai amanhã e há uma pressão gigante com os números. E o público que vê a televisão, de uma forma geral, é um público mais envelhecido, que responde a certos conteúdos", começou por dizer o portuense, após ter sido questionado pelo anfitrião e seu amigo, Justin Amorim.
"Acho que muitos diretores, ainda que tenham às vezes vontade em inovar e trazer algo mais novo ou mais dinâmico ou mais fora de caixa, se sentem receosos porque amanhã vão ver os números de hoje e, portanto, preferem às vezes trabalhar para um público mais envelhecido, com conteúdos que estão altamente viciados, onde nós vemos os vários canais generalistas e vemos conteúdos muito semelhantes, porque nas manhãs funciona assim, porque é o cozinhado e a música e a entrevista, à tarde é aquilo, vai com informação, mete um reality e tal e está feita a grelha, do que se calhar pensarmos em fazer coisas de forma diferente", continuou.
"Porque é que se calhar as manhãs têm que ser daquela maneira e a tarde é daquela maneira, e porque é que temos de fazer as coisas assim? E será que temos que ter três novelas, e se tivéssemos se calhar só uma? E se fizeres um conteúdo de viagens, por exemplo, ou se um podcast tem tanto sucesso, porque é que temos medo em colocar duas pessoas a falar em televisão? Porque é que temos necessidade de encher com muitas coisas, porque o dinamismo é que dá audiência?", inquiriu Ruben Rua.
De seguida, prosseguiu: "Se calhar não é exatamente assim. Portanto, eu acho que muitas vezes nós temos uma televisão antiga porque trabalhamos para ontem e acho que seria bom termos uma televisão de futuro se não queremos que ela morra. Acho que a rádio fez isso, conseguiu reinventar-se com as redes sociais, por exemplo. Toda a gente achava que a rádio que ia morrer porque a partir do momento que eu meto a minha música não vou ouvir rádio, e não é verdade, a rádio reinventou-se e está forte e está viva. E acho que a televisão ainda não percebeu como é que se pode transformar para perdurar."
Por fim, Ruben Rua opinou: "Da parte que me toca, acho que, se não se transformar no futuro, vai ser só duas coisas: desporto em direto e informação. E o entretenimento desaparece porque a partir do momento que eu tenho streamings a darem-me já tudo, eu deixo de ver a televisão. E a grande parte do público que vê a televisão hoje daqui a 20 anos já não existe. Daqui a dez anos, grande parte já não existe. Portanto, temos duas opções. Ou arriscamos e transformamo-nos e podemos sobreviver, ou ficamos onde estamos: ganhamos hoje, mas amanhã já não vamos estar cá."